Com publicação científica
Bactérias multirresistentes
Tratamentos de nova geração podem ser mais eficazes contra infecções causadas por bactérias altamente resistentes
Pesquisa comparou eficácia de novos tratamentos com antibióticos tradicionais

Biblioteca de Imagens de Saúde Pública do CDC/EUA
Bactéria Enterobacter cloacae
Por Redação SciAdvances
18 de abril de 2026, 15:40
Fonte
Áreas
Bacteriologia, Biologia, Biomedicina, Bioquímica, Biotecnologia, Desenvolvimento de Fármacos, Farmacologia, Farmácia Clínica, Imunologia, Microbiologia
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Bactérias multirresistentes
Bactérias multirresistentes, também chamadas de ‘superbactérias’, são um dos principais desafios de saúde pública global atualmente. Staphylococcus aureus (MRSA), Klebsiella pneumoniae (KPC), Klebsiella aerogenes, Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Enterobacter cloacae estão entre as principais bactérias com multirresistência ou com alto potencial de multirresistência.
Apesar do lento desenvolvimento de novos antibióticos, tratamentos de nova geração já estão chegando ao mercado e podem impulsionar a luta contra a resistência microbiana. Porém, seu uso deve ser parcimonioso para que não acabe provocando novas ondas de resistência no futuro.
Avanço: superprodução de enzima ajuda bactérias a se defenderem dos antibióticos
Na Espanha, um novo estudo multicêntrico sobre resistência a antibióticos analisou 314 amostras clínicas de bactérias associadas a infecções hospitalares, especificamente Enterobacter cloacae e Klebsiella aerogenes, com resultados que demonstram a crescente dificuldade no tratamento desses patógenos. Os pesquisadores identificaram uma diversidade genética significativa entre as bactérias.
O estudo considerou bactérias com superprodução da enzima AmpC, um mecanismo que permite neutralizar muitos dos antibióticos comuns. Esse fenômeno reduz significativamente as opções terapêuticas e exige uma revisão dos tratamentos utilizados na prática clínica.
O estudo foi realizado entre março e dezembro de 2024 em oito hospitais espanhóis, em colaboração com vários centros de pesquisa e com a Universidade de Barcelona, Universidade de Córdoba e Universidade de Sevilha.
Antibióticos de nova geração são mais eficazes
Os dados mostraram que alguns antibióticos amplamente utilizados para tratar as infecções por superbactérias estão perdendo eficácia a uma taxa alarmante.
Os cientistas observaram que a piperacilina/tazobactam, um antibiótico de amplo espectro que combina penicilina com inibidor de beta-lactamase, apresentou níveis de resistência superiores a até 78%.
Por outro lado, a cefepima, um antibiótico de 4ª geração de amplo espectro que pode agir contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, apresentou resistência em mais de 20% dos casos.
Já os antibióticos de nova geração – como a ceftazidima/avibactam, imipenem/relebactam e o cefiderocol – demonstraram eficácia excepcional em laboratório, com taxas de sensibilidade superiores a 99% para as bactérias analisadas, reforçando o papel desses novos antibióticos como alternativas terapêuticas contra infecções causadas por microrganismos multirresistentes.
Porém, esses antibióticos são considerados terapias de última linha e devem ser reservados para infecções documentadas por bactérias multirresistentes, visando controlar a disseminação da resistência bacteriana.
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