Com publicação científica

Dra. Anna Carratalà, EPFL
Pesquisadores da EPFL coletando amostras de água em lagos alpinos
Por Redação SciAdvances
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Na Europa, os lagos alpinos de alta altitude estão sujeitos a condições extremas, como baixa concentração de nutrientes, frio intenso, cobertura de gelo no inverno e alta radiação ultravioleta no verão.
Em um ambiente crítico onde poucos animais e plantas sobrevivem, a vida microbiana é dominada por bactérias e vírus, que formam grandes comunidades e desempenham papéis fundamentais nos ecossistemas, travando uma batalha evolutiva contínua que já dura milhões de anos.
Sob a liderança da professora Anna Carratalà no Laboratório de Virologia Ambiental da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça, cientistas observaram que bactérias de lagos alpinos de alta altitude na Suíça conseguem resistir a ataques de diversos vírus bacteriófagos (ou fagos).
A pesquisa, publicada na revista científica Environmental Science and Technology, também descobriu que, além de resistir aos fagos, algumas das bactérias estudadas também conseguiram combater outros vírus de fora dos lagos alpinos, o que sugere uma ação antiviral ampla.
Os cientistas coletaram amostras de água de 24 lagos alpinos no cantão de Valais, na Suíça, das quais isolaram 223 cepas bacterianas diferentes em laboratório.
Com essas cepas, foram criadas comunidades microbianas experimentais que foram expostas a três tipos de vírus: Echovírus 11, Influenza A (responsável pela gripe) e o vírus X da batata (PVX).
Segundo os pesquisadores, o estudo mostrou, pela primeira vez, uma associação entre a resistência a bacteriófagos e a inativação viral.
Quando expostas a uma mistura de bacteriófagos alpinos, as bactérias apresentaram graus variados de suscetibilidade às infecções virais, que envolvem mecanismos moleculares ainda desconhecidos.
De qualquer modo, os pesquisadores exaltaram na publicação o alto potencial das aplicações biotecnológicas que as descobertas podem trazer, por exemplo no combate a vírus que infectam culturas agrícolas.
No caso de cultivos hidropônicos, que substituem o solo por uma solução de nutrientes minerais em água e onde os vírus podem se propagar facilmente, as bactérias alpinas poderiam ser uma boa solução.
Para confirmar tal efetividade, os pesquisadores mostraram que plantas infectadas por um vírus nocivo deixaram de ser vulneráveis após serem expostas a essas bactérias alpinas resistentes.
Agora, os cientistas pretendem continuar a pesquisa para melhorar a compreensão sobre o papel da biodiversidade de microrganismos em ambientes alpinos e identificar os mecanismos moleculares precisos que permitem às bactérias dos lagos alpinos de alta altitude reduzirem a capacidade de vírus causarem infecções.
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