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Vida espelhada

Estudo propõe método para detectar organismos espelhados

Pesquisa pode reforçar biossegurança no caso de desenvolvimento de organismos espelhados

Wikimedia Commons

Uma molécula quiral não é sobreponível à sua imagem especular

Por Redação SciAdvances

25 de outubro de 2026, 12:18

Fonte

Áreas

Biologia, Bioquímica, Biotecnologia, Engenharia Biológica, Fotônica, Imunologia, Proteômica

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Vida espelhada

Em biologia molecular, a quiralidade é uma propriedade geométrica em que o reflexo invertido de uma molécula não consegue ser exatamente sobreposto à própria molécula, como seria o caso da mão direita e da mão esquerda, por exemplo.

Embora a maioria dos aminoácidos possa existir nas formas levógira e dextrogira (isômeros que desviam o plano da luz polarizada para a esquerda ou direita, respectivamente), a vida na Terra é formada por proteínas compostas quase que exclusivamente por aminoácidos levógiros. A chamada ‘vida espelhada’ (mirror life) é uma forma hipotética de vida sintética que seria formada por moléculas de quiralidade invertida, como proteínas feitas de aminoácidos dextrógiros.

Mesmo que moléculas dextrógiras e levógiras possuam exatamente os mesmos átomos na mesma ordem, elas interagem de maneira diferente com os organismos vivos. Enquanto uma versão de um medicamento pode curar uma doença, a versão inversa pode não ter efeito algum ou até mesmo causar danos.

A vida espelhada é considerada uma ameaça à biossegurança de baixa probabilidade, mas potencialmente grave. Há preocupações internacionais de que organismos espelhados criados artificialmente possam interagir com o mundo natural de maneiras imprevisíveis e potencialmente escapar de algumas das defesas biológicas que protegem humanos, animais e plantas.

Cientistas têm pedido restrições à pesquisa destinada a criar organismos espelho autorreplicantes, enquanto os riscos potenciais também foram considerados por governos e organizações internacionais, incluindo o Escritório de Ciência do Governo do Reino Unido e o Conselho Consultivo Científico do Secretário-Geral das Nações Unidas.

Avanço: luminescência circularmente polarizada poderia identificar organismos espelhados

Pesquisadores da Universidade de Strathclyde e da Universidade Durham, no Reino Unido, descreveram uma nova abordagem inédita que poderia potencialmente identificar organismos espelhados usando moléculas que emitem luz dextrógira e levógira, fornecendo uma possível ferramenta de vigilância futura, caso venha a existir a capacidade de criar tais organismos.

Os pesquisadores, que enfatizam que a vida espelhada não existe atualmente e que o método proposto é uma medida de contingência, utilizaram uma abordagem que envolve luminescência circularmente polarizada (LCP). Essa propriedade da luz pode revelar informações sobre a quiralidade de moléculas e estruturas biológicas.

De acordo com o Dr. Lewis MacKenzie, professor de Química Pura e Aplicada da Universidade de Strathclyde, no Reino Unido, apesar de ainda não existir a vida espelhada, faz sentido desenvolver métodos de detecção que poderiam evitar desdobramentos graves, caso essa possibilidade se concretize.

Os pesquisadores propuseram o uso de sondas fluorescentes que se ligam a estruturas dentro das células e produzem sinais de LCP distintos. Esses sinais poderiam fornecer uma impressão digital molecular, indicando se uma amostra biológica possui a quiralidade convencional encontrada na vida terrestre ou sua imagem espelhada.

O estudo foi publicado na revista científica Royal Society Open Science.

Tecnologia ainda não foi demonstrada experimentalmente

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Autores/Pesquisadores Citados

Professor de Química Pura e Aplicada da Universidade de Strathclyde

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