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Alterações durante a menopausa podem indicar risco futuro de demência
Por Redação SciAdvances
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Alguns dos principais sintomas da menopausa, como ondas de calor, ansiedade, confusão mental e problemas com o sono, podem ter origem no cérebro. Isso mostra que as mudanças que ocorrem durante a menopausa podem ter alguma ligação com a saúde cerebral no futuro.
Apesar da ciência saber que dois terços das pessoas com doença de Alzheimer são mulheres, ainda não se sabe exatamente qual aspecto da biologia feminina ou do processo de envelhecimento das mulheres as torna mais suscetíveis à demência.
Como as primeiras alterações cerebrais associadas à doença de Alzheimer começam décadas antes do surgimento dos sintomas, cientistas têm estudado a possível relação entre as alterações que ocorrem durante a menopausa e o risco posterior de demência.
Recentemente, cientistas usaram dados de proteômica sanguínea de várias coortes para identificar alterações biológicas associadas à menopausa e suas conexões com o envelhecimento cerebral, especificamente com o risco de demência décadas mais tarde.
O estudo foi liderado por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) e Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB), nos EUA, e da Universidade de Toronto, no Canadá, e publicado na revista científica Nature Medicine.
A pesquisa mostrou como os níveis de 16 moléculas no sangue — todas ligadas ao envelhecimento cerebral — aumentam durante a transição da menopausa na meia-idade. Em mulheres mais velhas, níveis mais elevados dessas mesmas moléculas foram associados a pior memória e declínio das habilidades cognitivas, bem como a um maior risco de doença de Alzheimer.
A Dra. Kaitlin Casaletto, professora da UCSF e coautora sênior do estudo, explicou que não se trata de relação causal direta entre menopausa e demência, mas apenas que potencialmente seria possível prever o risco de demência décadas depois com base nos níveis de certas proteínas durante a menopausa.
Em um grupo de 80 mulheres com idades entre 43 e 58 anos classificadas rigorosamente nas fases de pré, peri e pós-menopausa e submetidas à análise proteômica sérica NULISAseq, os cientistas mostraram que alterações na menopausa espontânea apresentaram correlação mais forte com os níveis hormonais do que com a idade, o que destaca a influência da menopausa em relação à influência da idade em si.
Moléculas associadas à inflamação mostraram tendência de aumentar à medida que os níveis do hormônio estradiol diminuíam, enquanto um grupo distinto de moléculas ligadas à biologia do Alzheimer aumentava conforme subiam os níveis do hormônio folículo-estimulante (FSH).
Ao analisar os níveis dessas mesmas moléculas em quase 12.000 mulheres na faixa dos 60 e início dos 70 anos participantes de quatro coortes anteriores, os cientistas descobriram que aquelas com os níveis mais elevados dessas moléculas apresentavam pior memória e um risco 15% maior de desenvolver a doença de Alzheimer com o envelhecimento.
Caso a continuação da pesquisa confirme essas proteínas como marcadores importantes, um simples exame de sangue poderia servir como um sinal de alerta precoce para o risco de demência, permitindo que profissionais de saúde pudessem iniciar intervenções precoces.
O próximo passo é o Projeto Longitudinal da Menopausa, que acompanhará mulheres ao longo de toda a transição para a menopausa por meio de exames de sangue e ressonâncias magnéticas do cérebro semestrais, testes cognitivos, dispositivos vestíveis e monitoramento via smartphone.
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Dra. Anna Carratalà, EPFL
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Acesse a página do Projeto Longitudinal da Menopausa (em inglês).
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