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Manipulação de rato em laboratório
Por Redação SciAdvances
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Estudos com animais são extremamente comuns na fase pré-clínica de pesquisas científicas e no desenvolvimento de novos medicamentos. Como avanço de estudos laboratoriais isolados, o estudo com animais permite trazer a complexidade biológica do animal para testes iniciais de segurança, toxicidade, eficácia e dosagem.
Todos os anos, estima-se que mais de cem milhões de roedores sejam utilizados em pesquisas biomédicas, além de outros animais de maior porte. Para orientar a ética nessas pesquisas, foi estabelecido o princípio dos 3Rs: redução do número de animais utilizados; substituição de testes com animais por outros métodos sempre que possível; e refinamento, minimizando o sofrimento causado aos animais.
Por exemplo, para evitar dor durante procedimentos invasivos nas pesquisas, os animais de laboratório são frequentemente anestesiados. Porém, a aplicação inadequada da anestesia pode causar sofrimento, distorcer os resultados de experimentos e obrigar os pesquisadores a repetir testes em mais animais.
Um efeito adverso recorrente da aplicação de alguns anestésicos é a exoftalmia em ratos, quando os olhos se projetam para fora das órbitas. Mesmo assim, esses anestésicos continuam sendo amplamente usados, o que pode expor os animais a lesões dolorosas.
Nos últimos anos, um grupo de pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Helsinque tem trazido avanços sobre o uso de animais em pesquisas, principalmente com foco na redução do número de animais e nos procedimentos de anestesia utilizados.
O grupo, liderado pelo Dr. Jussi Honkavaara, professor de Farmacologia Veterinária na Universidade de Helsinque, possui mais de 20 anos de experiência com estudos sobre o fármaco vatinoxano.
O professor destacou que as diferenças entre as espécies animais são importantes durante a anestesia: o fármaco pode estimular a circulação em cães, aliviar a constipação em cavalos e prevenir a exoftalmia em roedores.
Minna Mustikka, especialista em oftalmologia veterinária e doutoranda na Universidade de Helsinque, investiga o vatinoxano na prevenção da exoftalmia associada ao uso de combinações comuns de sedativos, e também na atenuação de outros efeitos adversos que ocorrem nos olhos dos animais. Resultados da pesquisa foram publicados recentemente na revista científica Journal of Ocular Pharmacology and Therapeutics.
Emily Lindh, doutoranda no grupo de pesquisa, também estuda os efeitos do vatinoxano, agora na circulação sanguínea de roedores durante a sedação. Em sua tese de doutorado, mostrou que o vatinoxano melhora a oxigenação tecidual em ratos ao reduzir os efeitos circulatórios adversos dos sedativos, além de inibir o aumento da glicemia causado pelos sedativos e a produção excessiva de urina. Os resultados também foram publicados este ano na revista científica BMC Veterinary Research.
Apesar de pesquisadoras do grupo já terem identificado que os benefícios vistos em ratos também podem ser replicados em camundongos, sabe-se que as doses do fármaco podem ser significativamente diferentes entre espécies, o que motiva próximas pesquisas a serem realizadas com camundongos.
Segundo o professor Jussi Honkavaara, se os estudos conseguirem reduzir o uso de animais em pesquisas em apenas 1%, já seriam mais de um milhão de animais poupados a cada ano.
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