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Vapes trazem riscos para a saúde pública e também para o meio ambiente
Por Redação SciAdvances
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Os cigarros eletrônicos – ou vapes – são dispositivos alimentados por bateria que aquecem um líquido para gerar um aerossol inalável, com o intuito de simular o ato de fumar.
Alcançando o mercado global desde 2006, esse tipo de dispositivo atingiu um consumo massivo na última década, impulsionado por designs tecnológicos e apelos comerciais e de marketing direcionados ao público jovem.
Com a pretensão de ser uma alternativa ‘menos prejudicial’ do que o cigarro comum, os vapes têm sido motivo de vários estudos pela comunidade científica, que sempre destacam os vários riscos envolvidos em seu consumo.
Estimativas globais apontam que mais de 2,3 milhões de vapes são descartados todos os dias. Só nos EUA, estudos indicam que centenas de milhares de vapes descartáveis são jogados no lixo todos os dias.
Um estudo conduzido pelo Dr. Andrew Turner, professor da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e pelo Dr. John Scott e Dra. Maya Dabrowski, pesquisadores da Universidade de Illinois em Urbana Champaign, nos EUA, analisou substância presentes em cigarros eletrônicos de nicotina, tanto novos quanto usados e descartados.
Os pesquisadores desmontaram modelos comuns dos dispositivos coletados no fluxo de descarte de loja especializada, removeram cuidadosamente os pavios, e analisaram o líquido residual em laboratório. Também foi testada uma pequena quantidade de dispositivos novos.
O estudo foi publicado na revista científica Environmental Monitoring and Assessment.
Foram encontrados níveis elevados de alumínio, cobre, níquel, chumbo e zinco no líquido dos vapes, o que preocupa tanto em relação à saúde pública quanto ao volume crescente de resíduos sólidos desses produtos.
A análise do pH dos líquidos dos dispositivos permitiu aos pesquisadores identificar que os metais já estão presentes no produto desde o início, e não apenas sendo dissolvidos a partir do funcionamento do dispositivo.
O estudo não avaliou diretamente se esses metais são transferidos para o vapor inalado pelas pessoas ou qual quantidade de metal chega aos pulmões durante o uso normal.
No entanto, o conhecimento da presença de concentrações tão elevadas de metais no líquido é suficiente, segundo os cientistas, para sugerir uma regulamentação mais rigorosa.
Contendo baterias, circuitos, plásticos e líquidos com metais, montados em uma embalagem compacta e difícil de reciclar, os dispositivos também estão gerando um grave problema de resíduos sólidos.
Muitos desses vapes acabam simplesmente no lixo comum. Então, o líquido contaminado pode liberar metais pesados no chorume de aterros sanitários, aumentando o risco de contaminação de águas subterrâneas.
Os cientistas sugeriram que a comunicação sobre a composição e os riscos associados aos vapes seja feita de modo responsável, claro e acessível, tanto na rotulagem quanto na regulamentação dos produtos.
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