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Por Redação SciAdvances
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A demência com corpos de Lewy, uma das formas mais comuns de demência em idosos, se manifesta quando aglomerados anormais da proteína alfa-sinucleína se acumulam no interior dos neurônios e contribuem para danificá-los.
A doença traz sintomas como alucinações visuais, flutuações na função cognitiva, movimentos agitados durante o sono e sintomas motores semelhantes aos da doença de Parkinson.
Mas, ao contrário do que os cientistas achavam anteriormente, a perda de tecido cerebral causada pela doença parece não ser aleatória, mas afetar preferencialmente certas regiões do cérebro que compartilham características biológicas e genéticas específicas.
Recentemente, um estudo internacional trouxe novos avanços para o conhecimento sobre as regiões cerebrais afetadas pela demência com corpos de Lewy.
Os pesquisadores compararam exames de ressonância magnética cerebral de 83 pessoas diagnosticadas com demência com exames de 86 indivíduos saudáveis.
O estudo, publicado na revista científica Journal of Biomedical Science, foi liderado pelo Dr. Shady Rahayel, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Montreal, no Canadá, e contou com a participação de cientistas da Universidade McGill, Universidade de Toronto, Universidade de Alberta e Hospital Sacré-Coeur de Montreal, também no Canadá; e também da Universidade de Cambridge e Universidade Newcastle, no Reino Unido.
A comparação dos exames de ressonância magnética mostrou um acentuado afinamento cortical – particularmente nas regiões parietal, temporal e occipital do cérebro -, em concordância com achados anteriores.
O professor Shady Rahayel também destacou a identificação da transcrição de genes ligados à função mitocondrial e às sinapses nessas regiões mais afetadas pelo afinamento cortical nesse tipo de demência.
Muitos desses genes também são encontrados nos mecanismos biológicos associados às doenças de Parkinson e de Alzheimer, o que reforça a ideia de que a demência com corpos de Lewy pode estar na intersecção entre as duas doenças.
Além disso, a equipe também isolou um grupo de 90 genes exclusivos da demência com corpos de Lewy ligados ao GABA (ácido gama-aminobutírico), o principal mensageiro químico do cérebro que reduz a atividade neuronal. Essa descoberta pode ajudar a explicar alguns dos sintomas característicos da doença, como as alucinações visuais.
De acordo com o líder da pesquisa, as descobertas mostraram que a vulnerabilidade de certas regiões cerebrais à demência com corpos de Lewy não é aleatória, mas reflete uma combinação de fatores moleculares e redes neurais que, futuramente, poderão ser alvo de novos tratamentos voltados especificamente para os circuitos inibitórios afetados pela doença.
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