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Pesquisa sobre câncer cerebral
Por Redação SciAdvances
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De acordo com a Dra. Ana Guerreiro Stücklin, oncologista pediátrica do Hospital Infantil Universitário de Zurique, na Suíça, alguns tumores cerebrais pediátricos agressivos, como os gliomas de alto grau e os gliomas difusos da ponte (DIPG), ainda não têm cura e continuam crescendo mesmo com radioterapia e quimioterapia.
Os tumores cerebrais são muitas vezes difíceis de alcançar pelos tratamentos convencionais: cirurgias em áreas vitais podem apresentar alto risco, a barreira hematoencefálica bloqueia certos medicamentos e os tumores frequentemente não possuem contornos definidos, crescendo de forma difusa no tecido cerebral.
Mas além de aperfeiçoar as terapias existentes, também é fundamental desenvolver novas opções de tratamento. É neste ponto que a pesquisa translacional tem importância fundamental.
Estudo sobre o papel das fusões gênicas tem evoluído
A Dr. Ana Guerreiro Stücklin trata crianças com câncer e, simultaneamente, realiza pesquisas sobre novas terapias. Atualmente, ela trabalha em uma área particularmente promissora para a compreensão e o combate ao desenvolvimento de tumores cerebrais: as chamadas ‘fusões gênicas’.
Conhecido desde a década de 1980, o processo de fusão de genes acontece quando partes de genes danificados se fundem para formar novos genes, que evoluem para células cancerígenas.
Mais recentemente, o sequenciamento do genoma revelou que muitos tumores aparentemente idênticos podem ser, na verdade, biologicamente completamente diferentes.
Segundo a médica, quando partes de dois genes se fundem em um novo ‘supergene’, pode ser produzida uma proteína agressiva que impulsiona o crescimento das células tumorais. Quando essas fusões estão ativadas, células cancerígenas são formadas e seu crescimento é estimulado.
Novas terapias podem ter como alvos os ‘supergenes’
Mas esses supergenes podem ser um alvo ideal para terapias: se a proteína envolvida na fusão for bloqueada, pode ser possível combater o tumor sem danificar as células saudáveis.
As fusões gênicas ocorrem principalmente em crianças no primeiro ou segundo ano de vida, fase em que o cérebro se desenvolve muito rapidamente. Essas fusões oncogênicas não ocorrem apenas no cérebro, mas também em outros tipos de tumor, como leucemia e sarcoma.
Apesar de nem todos os tumores cerebrais agressivos serem impulsionados por fusões gênicas, a pesquisa sobre esse tipo de oncogênese é importante para toda a biologia do câncer. Segundo estudos iniciais, as fusões gênicas respondem muito bem à terapia-alvo.
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