Câncer cerebral infantil
Fusões de genes podem criar supergenes oncogênicos
Novas pesquisas impulsionam terapias para enfrentar os desafios do câncer cerebral infantil

Gorodenkoff via Shutterstock
Pesquisa sobre câncer cerebral
Por Redação SciAdvances
20 de agosto de 2026, 11:18
Fonte
Áreas
Bioinformática, Biologia, Bioquímica, Biotecnologia, Desenvolvimento de Fármacos, Engenharia Biológica, Farmacologia, Farmácia Oncológica, Genética, Genômica, Medicina, Medicina de Precisão, Neurologia, Oncologia, Pediatria, Quimioterapia, Radioterapia, Toxicologia
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De acordo com a Dra. Ana Guerreiro Stücklin, oncologista pediátrica do Hospital Infantil Universitário de Zurique, na Suíça, alguns tumores cerebrais pediátricos agressivos, como os gliomas de alto grau e os gliomas difusos da ponte (DIPG), ainda não têm cura e continuam crescendo mesmo com radioterapia e quimioterapia.
Os tumores cerebrais são muitas vezes difíceis de alcançar pelos tratamentos convencionais: cirurgias em áreas vitais podem apresentar alto risco, a barreira hematoencefálica bloqueia certos medicamentos e os tumores frequentemente não possuem contornos definidos, crescendo de forma difusa no tecido cerebral.
Mas além de aperfeiçoar as terapias existentes, também é fundamental desenvolver novas opções de tratamento. É neste ponto que a pesquisa translacional tem importância fundamental.
Estudo sobre o papel das fusões gênicas tem evoluído
A Dr. Ana Guerreiro Stücklin trata crianças com câncer e, simultaneamente, realiza pesquisas sobre novas terapias. Atualmente, ela trabalha em uma área particularmente promissora para a compreensão e o combate ao desenvolvimento de tumores cerebrais: as chamadas ‘fusões gênicas’.
Conhecido desde a década de 1980, o processo de fusão de genes acontece quando partes de genes danificados se fundem para formar novos genes, que evoluem para células cancerígenas.
Mais recentemente, o sequenciamento do genoma revelou que muitos tumores aparentemente idênticos podem ser, na verdade, biologicamente completamente diferentes.
Segundo a médica, quando partes de dois genes se fundem em um novo ‘supergene’, pode ser produzida uma proteína agressiva que impulsiona o crescimento das células tumorais. Quando essas fusões estão ativadas, células cancerígenas são formadas e seu crescimento é estimulado.
Novas terapias podem ter como alvos os ‘supergenes’
Mas esses supergenes podem ser um alvo ideal para terapias: se a proteína envolvida na fusão for bloqueada, pode ser possível combater o tumor sem danificar as células saudáveis.
As fusões gênicas ocorrem principalmente em crianças no primeiro ou segundo ano de vida, fase em que o cérebro se desenvolve muito rapidamente. Essas fusões oncogênicas não ocorrem apenas no cérebro, mas também em outros tipos de tumor, como leucemia e sarcoma.
Apesar de nem todos os tumores cerebrais agressivos serem impulsionados por fusões gênicas, a pesquisa sobre esse tipo de oncogênese é importante para toda a biologia do câncer. Segundo estudos iniciais, as fusões gênicas respondem muito bem à terapia-alvo.
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