Com publicação científica

Divulgação, Universidade Monash
Modelo de organoide que incorpora tanto o revestimento intestinal quanto suas bactérias
Por Redação SciAdvances
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A doença inflamatória intestinal (DII) – como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa – é uma condição crônica caracterizada pela inflamação no trato digestivo que pode provocar dor e diarreia, muitas vezes desde a infância.
Como o microbioma intestinal é único para cada pessoa, um tratamento para a doença inflamatória intestinal (DII) que funciona para um indivíduo pode não funcionar para outro.
Neste cenário, a engenharia de tecidos pode contribuir com novas pesquisas e também com o desenvolvimento de tratamentos personalizados, caso possam ser reproduzidos em laboratório tanto o organoide vivo que mimetiza o intestino quanto a população de bactérias características do microbioma individual.
A partir de ‘mini-intestinos’ desenvolvidos em laboratório por engenharia de tecidos, pesquisadores conseguiram testar como e onde bactérias específicas do sistema digestivo de um paciente podem afetar o tecido e causar inflamação intestinal.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, é a primeira a desenvolver um modelo de organoide que incorpora tanto o revestimento intestinal quanto suas bactérias, sendo pioneira na tecnologia de injetar bactérias nos organoides intestinais para estudar seu impacto na inflamação.
A Dra. Helen Abud, professora da Universidade Monash, na Austrália, e coautora sênior do estudo, destacou que o estudo representa um avanço no sentido de tratamentos personalizados para a DII.
Segundo a professora, com as réplicas vivas do revestimento intestinal de um paciente, é possível observar como essa barreira protege o organismo contra conteúdos intestinais nocivos e como ela se regenera ou se deteriora quando exposta a diferentes bactérias.
O Dr. Edward Giles, professor da Universidade Monash e gastroenterologista pediátrico no Monash Children’s Hospital, destacou que a intervenção precoce é vital para crianças entre 9 e 18 anos, que podem passar décadas convivendo com essa condição crônica.
Para ter sucesso nessa intervenção precoce, o professor ressaltou que a metodologia é única porque combina o estudo especializado da doença do paciente com as bactérias específicas presentes no local da inflamação, o que pode viabilizar testes de cicatrização da barreira intestinal ou mesmo descobrir possíveis tratamentos com bactérias protetoras.
A Dra. Eva Chan, pesquisadora do Instituto Hudson de Pesquisa Médica e primeira autora do estudo, destacou o poder de ferramenta de pesquisa preditiva dos ‘mini-intestinos’, que podem ser a base para futuros testes e intervenções personalizadas.
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