Com publicação científica

Reprodução, Instituto de Física II da Universidade de Stuttgart
Base de ancoragem na membrana (à esquerda) controla a agulha móvel (à direita) através de um mecanismo de deslizamento reversível, para penetração na membrana
Por Redação SciAdvances
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Nas células, o transporte transmembrana de moléculas pode usar os mecanismos clássicos de difusão simples ou difusão facilitada, que acontecem de modo passivo e sem gasto de energia, ou mesmo processos que envolvem inserção mecânica direta, em que tipicamente há a penetração da membrana por um agente externo, como na microinjeção celular, por exemplo.
Mas, mesmo podendo ser importante para um sem-fim de aplicações biotecnológicas, principalmente em nanoescala, a penetração mecânica de membranas celulares ainda tem muitos desafios relacionados à escala nanométrica, ao dano celular e também ao próprio controle do processo de transporte de moléculas através da membrana.
Pesquisadores da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, em colaboração com colegas da Universidade Zhejiang e do Instituto de Medicina Hangzhou, na China, avançaram no conceito de penetração mecânica para acesso direto através de membranas biológicas com a proposta de um nanodispositivo de DNA programável.
O desenvolvimento de uma ‘nanosseringa de origami de DNA’ foi publicada na revista científica Nature Nanotechnology.
A nanosseringa pode ser ancorada em membranas lipídicas, penetrando-as por meio de movimento mecânico programável para entregar uma carga molecular. Na sequência, o nanodispositivo se retrai para restaurar a integridade da membrana.
A plataforma consiste em dois componentes modulares de ‘origami’ de DNA: uma base de ancoragem na membrana e uma agulha móvel, conectadas por um mecanismo de deslizamento reversível.
Reações de deslocamento da fita de DNA impulsionam a agulha para penetrar na membrana e para sair da membrana, possibilitando um ciclo mecânico totalmente programável. Essa atuação reversível permite que a carga molecular acoplada à ‘agulha’ seja transportada através de membranas lipídicas sem comprometer sua integridade.
De acordo com a Dra. Laura Na Liu, professora do instituto de Física II da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, e autora sênior do estudo, a pesquisa introduz o princípio mecânico na nanotecnologia de DNA programável, com nanodispositivos de DNA podendo interagir ativamente com membranas biológicas por meio de movimento mecânico controlado.
Os testes moleculares com a nova plataforma mostraram que o transporte mecânico através da membrana pode regular diretamente funções bioquímicas subsequentes com controle temporal preciso.
Segundo o Dr. Longjiang Ding, pesquisador da Universidade de Stuttgart e primeiro autor do estudo, a plataforma pode funcionar como uma interface programável para controlar processos bioquímicos distintos no interior de células.
Os cientistas esperam que desenvolvimentos futuros possam viabilizar a entrega programável de proteínas, ácidos nucleicos e outras biomoléculas funcionais, abrindo novas oportunidades para a biologia sintética, a terapêutica molecular e as biointerfaces projetadas.
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