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Hambúrguer vegano
Por Redação SciAdvances
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A ciência já sabe que o consumo excessivo de carne vermelha eleva o risco de doenças cardiovasculares e câncer, como o câncer colorretal, principalmente devido à gordura saturada, ferro heme e conservantes químicos.
Alternativas vegetais podem ser uma opção, principalmente por mimetizarem o sabor na carne, e poderiam trazer algum benefício em relação ao risco de doenças cardíacas, mas o processamento desses novos produtos também exige um consumo controlado.
Neste sentido, pesquisadores têm estudado dietas com alternativas à carne vermelha e acompanhado os resultados de saúde em estudos clínicos.
No estudo clínico Finding Optimal Oral Diet-1 (FOOD-1) – um estudo randomizado, cruzado, de centro único e aberto – 41 participantes consumiram hambúrguer à base de plantas (dois por dia) ou hambúrguer à base de carne de vaca (dois por dia) durante seis dias, cruzando para a dieta alternativa após um período de depuração de sete dias.
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em Portugal, e da Universidade McGill, no Canadá, realizaram uma análise comparativa do desfecho primário do estudo: os níveis de TMAO (Trimethylamine N-oxide), um marcador que ajuda a estimar o risco de eventos cardiovasculares adversos.
Os participantes do estudo tinham risco cardiovascular elevado, incluindo diabetes, hipertensão arterial ou história de problemas cardiovasculares prévios (como enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral). Além da TMAO, também foram avaliados outros marcadores de risco cardiovascular, incluindo o colesterol.
A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports, mostrou que o consumo do produto vegano levou a menores níveis de TMAO, o que está associado a menor risco de doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC) em relação ao consumo da carne vermelha.
De acordo com o Dr. João Pedro Ferreira, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), o estudo mostrou que hambúrgueres à base de plantas (que apenas imitam a carne vermelha) reduzem os níveis de TMAO comparativamente com hambúrgueres de carne bovina, além de estarem associados a níveis mais baixos de colesterol LDL (o colesterol ruim).
O professor destacou que a substituição de carne bovina por produtos de origem vegetal pode ajudar na prevenção cardiovascular, mantendo ou aproximando o sabor da carne que muitas pessoas apreciam.
Porém, o professor faz uma ressalva importante: como esses produtos à base de plantas são processados e com alto teor de sal, seu consumo regular também não é recomendado.
Segundo o Dr. João Pedro Ferreira, novas pesquisas devem comparar o impacto sobre a saúde humana da ‘carne cultivada’ e da carne vermelha tradicional.
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