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A memória de trabalho guarda e manipula informações que precisam estar mais acessíveis rapidamente
Por Redação SciAdvances
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A memória, principalmente a memória de longo prazo, é formada, consolidada e resgatada por ondas cerebrais de diversas frequências, desde ondas delta (que vão de frequências de 0,5 a 4 Hz) até ondas de alta frequência, como no caso de ondulações (ripples), que podem chegar em 250 Hz ou até mais, em alguns casos.
Mas além da memória de longo prazo, existe outro tipo de memória que é importante para o desenvolvimento de atividades cotidianas: é a chamada memória de trabalho, um tipo de memória temporária que guarda e manipula informações que precisam estar mais acessíveis rapidamente.
Mas, até agora, não estava claro o papel das ondas de alta frequência sobre a coordenação da atividade neural entre áreas distantes do cérebro humano que atuam na memória de trabalho.
Um estudo conduzido por cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e do Sedars-Sinai Medical Center, nos EUA, trouxe novos conhecimentos sobre como o cérebro humano coordena a memória de trabalho.
Os pesquisadores descobriram que ondas cerebrais de alta frequência (ripples) podem ajudar o sincronismo entre regiões cerebrais distantes durante tarefas que exigem memória de trabalho.
O novo estudo analisou registros cerebrais de 35 pacientes que haviam passado anteriormente por um procedimento de implante de eletrodos no cérebro para monitoramento de epilepsia. Os participantes foram instruídos a observar uma ou três imagens, retê-las na memória por um curto período de tempo e, em seguida, decidir se uma imagem de teste correspondia a uma das imagens do conjunto original.
Os pesquisadores analisaram a atividade em diversas regiões cerebrais envolvidas na memória e na cognição, buscando padrões coordenados de atividade neural.
Os resultados, publicados na revista científica Nature Neuroscience, mostraram como o cérebro coordena o processo da memória de trabalho, o que pode ajudar os cientistas a compreender melhor distúrbios que afetam a conectividade cerebral, como a doença de Alzheimer ou o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
Os cientistas identificaram que as oscilações de alta frequência aumentaram durante todas as etapas da memória de trabalho. Quando essas ondas de alta frequência eram disparadas simultaneamente de diferentes regiões no cérebro, mesmo que distantes, os neurônios dessas áreas apresentavam uma probabilidade cerca de 30% maior de disparar em conjunto.
Além disso, a necessidade de uma carga mais alta de memória temporária fazia com que essa coordenação entre regiões cerebrais fosse ainda mais intensa.
Essas descobertas sugerem que as oscilações cerebrais de alta frequência podem atuar como um mecanismo de comunicação neural de ‘longa distância’, auxiliando o cérebro na integração de informações.
O novo conhecimento também permite distinguir sinais cognitivos cerebrais saudáveis de atividades anômalas de alta frequência associadas a doenças neurológicas.
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