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Por Redação SciAdvances
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A associação entre o consumo de ultraprocessados e diversos malefícios causados à saúde humana tem sido motivo de muitos estudos em nível global.
Além de causarem ganho de peso, alteração hormonal, inflamação crônica e desequilíbrio na flora intestinal, os ultraprocessados podem aumentar significativamente o risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, câncer e demência.
Recentemente, cientistas têm se interessado em compreender se, para além de prejudicarem a si mesmas, pessoas que exageram no consumo deste tipo de produtos podem também afetar características importantes dos filhos ao nascer.
Pesquisadoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) e da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) realizaram um estudo para verificar se o consumo de ultraprocessados pelo pai antes da gravidez pode afetar a saúde do bebê.
Foram analisados 43 grupos de pais, mães e recém-nascidos atendidos na rede pública de saúde de Ribeirão Preto (SP), e os resultados mostraram uma associação entre o consumo de ultraprocessados pelo pai e um peso mais elevado ao nascer, com acúmulo de gordura localizada no bebê.
Esse é um achado importante, já que o alto peso ao nascer e a adiposidade elevada no início da vida são fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta.
A Dra. Daniela Sartorelli, professora da FMRP-USP e autora sênior do estudo publicado na revista científica Nutrition Research, destacou que o trabalho é o primeiro a demonstrar em humanos a associação entre a ingestão paterna de ultraprocessados e a composição corporal do recém-nascido.
Segundo Mariana Rinaldi Carvalho, doutoranda em Saúde Pública na FMRP-USP e primeira autora do estudo, dietas ricas em alimentos ultraprocessados podem gerar um ambiente pró-inflamatório no organismo, afetando a qualidade dos espermatozoides e modificando a expressão de genes que serão transmitidos ao bebê.
Um dos genes citados no estudo é o IGF-II, responsável pelo crescimento fetal e expresso exclusivamente a partir da cópia herdada do pai.
Nos resultados relatados, enquanto o consumo paterno de ultraprocessados esteve associado ao maior peso dos filhos ao nascer, a dieta materna teve um efeito oposto. A ingestão de ultraprocessados pelas mães no início da gestação (até a 16ª semana) foi associada a menor peso, menor altura e menor circunferência da cabeça do bebê ao nascer.
Segundo as pesquisadoras, uma explicação plausível para essa diferença entre a influência da dieta da mãe e do pai pode estar relacionada à formação da placenta, que depende de nutrientes consumidos pela mãe. E ultraprocessados são alimentos pobres em nutrientes.
De acordo com a professora Daniela Sartorelli, os resultados abrem caminho para pesquisas maiores e reforçam a necessidade de incluir os homens, e não apenas as mulheres, nas orientações de planejamento familiar.
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