Com publicação científica
Consumo de ultraprocessados
Dieta do pai pode influenciar composição corporal do bebê ao nascer
Estudo mostrou influência da dieta paterna sobre o peso e gordura localizada do bebê

Gorodenkoff via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
29 de julho de 2026, 07:08
Fonte
Áreas
Ciência e Tecnologia de Alimentos, Educação Alimentar, Epidemiologia, Medicina, Neonatologia, Nutrição Clínica, Nutrição Funcional, Nutrição Materno Infantil, Obesidade, Pediatria, Qualidade dos Alimentos
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Consumo de ultraprocessados
A associação entre o consumo de ultraprocessados e diversos malefícios causados à saúde humana tem sido motivo de muitos estudos em nível global.
Além de causarem ganho de peso, alteração hormonal, inflamação crônica e desequilíbrio na flora intestinal, os ultraprocessados podem aumentar significativamente o risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, câncer e demência.
Recentemente, cientistas têm se interessado em compreender se, para além de prejudicarem a si mesmas, pessoas que exageram no consumo deste tipo de produtos podem também afetar características importantes dos filhos ao nascer.
Avanço: dieta do pai também é importante para a saúde do bebê
Pesquisadoras da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) e da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP) realizaram um estudo para verificar se o consumo de ultraprocessados pelo pai antes da gravidez pode afetar a saúde do bebê.
Foram analisados 43 grupos de pais, mães e recém-nascidos atendidos na rede pública de saúde de Ribeirão Preto (SP), e os resultados mostraram uma associação entre o consumo de ultraprocessados pelo pai e um peso mais elevado ao nascer, com acúmulo de gordura localizada no bebê.
Esse é um achado importante, já que o alto peso ao nascer e a adiposidade elevada no início da vida são fatores de risco para doenças cardiovasculares e metabólicas na vida adulta.
A Dra. Daniela Sartorelli, professora da FMRP-USP e autora sênior do estudo publicado na revista científica Nutrition Research, destacou que o trabalho é o primeiro a demonstrar em humanos a associação entre a ingestão paterna de ultraprocessados e a composição corporal do recém-nascido.
Resultados apontam possível interferência epigenética e mostram influências distintas entre as dietas do pai e da mãe
Segundo Mariana Rinaldi Carvalho, doutoranda em Saúde Pública na FMRP-USP e primeira autora do estudo, dietas ricas em alimentos ultraprocessados podem gerar um ambiente pró-inflamatório no organismo, afetando a qualidade dos espermatozoides e modificando a expressão de genes que serão transmitidos ao bebê.
Um dos genes citados no estudo é o IGF-II, responsável pelo crescimento fetal e expresso exclusivamente a partir da cópia herdada do pai.
Nos resultados relatados, enquanto o consumo paterno de ultraprocessados esteve associado ao maior peso dos filhos ao nascer, a dieta materna teve um efeito oposto. A ingestão de ultraprocessados pelas mães no início da gestação (até a 16ª semana) foi associada a menor peso, menor altura e menor circunferência da cabeça do bebê ao nascer.
Segundo as pesquisadoras, uma explicação plausível para essa diferença entre a influência da dieta da mãe e do pai pode estar relacionada à formação da placenta, que depende de nutrientes consumidos pela mãe. E ultraprocessados são alimentos pobres em nutrientes.
De acordo com a professora Daniela Sartorelli, os resultados abrem caminho para pesquisas maiores e reforçam a necessidade de incluir os homens, e não apenas as mulheres, nas orientações de planejamento familiar.
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