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Ilustração 3D de câncer de tireoide
Por Redação SciAdvances
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Sempre que uma pessoa tem qualquer tipo de câncer, o sistema imunológico tenta defender o corpo atacando as células tumorais. Porém, para que essa ação tenha êxito, as células imunes precisam primeiro reconhecer as células cancerígenas como nocivas.
Isso ocorre por meio de sinais moleculares na superfície das células cancerígenas – os antígenos – que funcionam como ’alvos’ de identificação. Mas, ao mesmo tempo, as células cancerígenas também desenvolvem mecanismos para ‘mascarar’ esses alvos ou desativas os linfócitos para escapar da destruição.
A terapia CAR-T reprograma as células T do sistema imune do próprio paciente para que identifiquem com precisão um antígeno específico nas células cancerígenas e tenham sucesso na destruição das células cancerígenas.
Embora essa abordagem tenha revolucionado o tratamento de cânceres hematológicos, inda há desafios a serem vencidos contra tumores sólidos, cujo microambiente imunossupressor bloqueia a infiltração e a atividade das células de T.
Para superar isso, estudos recentes buscam não apenas potencializar os linfócitos, mas também modular as características das próprias células cancerígenas e de seu entorno, tornando o tumor mais visível e vulnerável ao ataque.
Pesquisadores da Clínica Mayo, nos EUA, identificaram uma estratégia que pode trazer avanços para a terapia CAR-T aplicada a tumores sólidos. O foco do novo estudo são as próprias células cancerígenas, através da redução de sua capacidade de escapar das células do sistema imunológico programadas para atacá-las.
No estudo pré-clínico publicado na revista científica Molecular Cancer, equipe da Clínica Mayo concentrou-se no receptor do hormônio estimulador da tireoide (TSHR), uma proteína encontrada principalmente nas células da tireoide.
Células CAR-T direcionadas ao TSHR demonstraram forte atividade antitumoral contra cânceres de tireoide com altos níveis de TSHR, enquanto sua eficácia foi mais limitada contra o câncer de tireoide anaplásico (mais agressivo), que apresenta baixa ou nenhuma expressão de TSHR.
Então, os pesquisadores estudaram como aumentar a expressão de TSHR nas células cancerígenas.
Em modelos de câncer de tireoide anaplásico derivados de pacientes, os cientistas descobriram que medicamentos que inibem a via de sinalização da proteína MAPK – como trametinibe e dabrafenibe – conseguiram aumentar a expressão de TSHR nas células tumorais, tornando o câncer novamente visível para as células CAR-T modificadas.
A combinação dos fármacos com a terapia com células CAR-T resultou em melhor controle do tumor e maior sobrevida nos modelos pré-clínicos em relação à aplicação de cada terapia isoladamente. A estratégia foi chamada de ‘células TSHR-CAR-T com capacidade de rediferenciação’.
De acordo com a Dra. Claudia Manriquez Roman, pesquisadora da Clínica Mayo e coautora principal do estudo, uma das principais descobertas do estudo é que a densidade de antígenos é importante: restaurar a expressão de TSHR por meio da terapia combinada pode sensibilizar tumores de tireoide agressivos ao ataque das células CAR-T, o que poderia viabilizar uma nova estratégia para aprimorar as terapias com células CAR-T em tumores sólidos.
Embora o estudo tenha se concentrado no câncer de tireoide, o conceito pode ter implicações para outros tumores sólidos cujos tratamentos utilizam imunoterapia direcionada a marcadores de superfície semelhantes.
Agora, os cientistas estão concluindo os estudos necessários para embasar testes de Fase I de células CAR-T direcionadas ao TSHR.
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