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Brian A Jackson via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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Muitos estudos científicos têm relacionado o consumo de álcool com as mais variadas doenças ao longo de décadas. Cada um com suas características e limitações, estes estudos epidemiológicos sempre estão sujeitos às limitações éticas das pesquisas e aos vieses que frequentemente aparecem.
Apesar da grande maioria dos estudos apontar os riscos que o consumo de álcool traz para a saúde, alguns estudos têm destacado que o consumo comedido e limitado pode ser benéfico em alguns casos.
De qualquer modo, não é fácil entender os possíveis vieses intrínsecos de cada pesquisa, e ter uma ideia bem clara e incontestável sobre a influência positiva do álcool para a saúde.
Outra limitação é que observações populacionais podem não ser exatamente representativas do que pode acontecer com um indivíduo específico: genética, idade, gênero, nível socioeconômico e estilo de vida podem ter um impacto importante e influenciar os resultados de saúde.
Pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard, nos EUA, e da Universidade de Toronto, no Canadá, publicaram recentemente um estudo de revisão que buscou avançar no conhecimento sobre os riscos do consumo de álcool para a saúde humana.
Os pesquisadores incluíram no estudo uma revisão de escopo de metanálises de estudos de coorte sobre consumo médio e desfechos de saúde; uma revisão sistemática de estudos de randomização mendeliana sobre álcool e cardiopatia isquêmica; e sínteses narrativas sobre lesões, vias biológicas e reversibilidade dos efeitos.
Reunindo quase 200 estudos, os cientistas conseguiram constatar que mais de 60 doenças – com base na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) – são 100% atribuíveis ao consumo de álcool. No entanto, a revisão também aponta que alguns desses danos podem ser retardados ou revertidos se a pessoa reduzir ou interromper o consumo de álcool.
Em uma entrevista concedida ao Portal The Harvard Gazette, da Universidade de Harvard, Sinclair Carr, doutorando na Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard e primeiro autor do estudo, e o Dr. Jürgen Rehm, professor da Universidade de Toronto, discutiram as descobertas realizadas no estudo.
Os pesquisadores destacaram que a revisão incluiu não somente estudos epidemiológicos clássicos mas também estudos com uma nova abordagem: a randomização mendeliana, que utiliza informações genéticas das pessoas.
Segundo o Dr. Jürgen Rehm, um resultado importante do estudo é que não existe nível seguro de consumo de álcool no que diz respeito ao câncer: qualquer quantidade de álcool aumenta o risco de vários tipos de câncer. E não importa a fonte do álcool, se é de cerveja, vinho ou uísque. Não há evidências científicas de que o tipo de bebida importa.
Por outro lado, esse risco não existe necessariamente para todas doenças: pode ser que o risco seja aumentado para uma doença e reduzido para outra. Neste sentido, os pesquisadores destacaram que análises epidemiológicas não retratam condições individuais, que podem modificar os riscos específicos.
Por outro lado, há evidências que a interrupção no consumo do álcool pode retardar ou reverter os danos, dependendo do tipo de doença ou lesão. Por exemplo, estudos randomizados indicam que reduzir o consumo pode baixar a pressão arterial, que é um importante fator de risco para doenças cardíacas.
O risco de câncer também pode diminuir após a interrupção do consumo. O problema com muitas doenças crônicas é que alguns danos causados pelo álcool podem ser irreversíveis. No entanto, reduzir o consumo de álcool ou parar de beber pode retardar a progressão da doença.
O doutorando Sinclair Carr destacou que a divulgação do conhecimento científico pode informar melhor as pessoas para que elas possam tomar suas próprias decisões sobre o consumo de álcool a partir da compreensão dos efeitos do consumo de álcool para a saúde.
De qualquer modo, os pesquisadores destacaram que mais estudos sobre as influências do consumo de álcool sobre a saúde são necessários para responder questões ainda incompreendidas e caminhar na direção de um panorama mais claro e preciso.
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