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Por Redação SciAdvances
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A demência – incluindo a doença de Alzheimer, demência vascular, demência frontotemporal e demência com corpos de Levy – leva a uma perda crônica e progressiva da memória, linguagem, raciocínio e atenção, limitando profundamente a capacidade da pessoa de realizar tarefas cotidianas e manter sua autonomia.
E o cenário não é nada animador: o número total de casos de demência tem aumentado no mundo todo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que o total de pessoas com a condição pode aumentar de cerca de 55 milhões atualmente para mais de 150 milhões até 2050, principalmente devido ao envelhecimento da população global.
No Reino Unido, atualmente, um em cada seis leitos hospitalares está ocupado por uma pessoa com demência, a um custo anual de 2,8 bilhões de libras esterlinas (quase R$ 20 bilhões). A previsão é que esse número suba para um leito a cada quatro leitos hospitalares até 2040.
Pesquisadores da University College London (UCL) e da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, conduziram um estudo de revisão guarda-chuva – que resume os resultados de várias revisões sistemáticas e meta-análises já publicadas – sobre internações hospitalares de pessoas com demência.
Os pesquisadores apontaram como a demora na alta, a falta de comunicação entre as equipes de saúde e ambientes hospitalares inadequados para pacientes com demência mantêm essas pessoas no hospital desnecessariamente, comprometendo sua dignidade e agravando sua fragilidade.
Pessoas com demência têm cinco vezes mais chances de permanecer no hospital mesmo quando clinicamente aptas a receber alta; apenas os atrasos na alta têm um custo anual de 328 milhões de libras (R$ 2,25 bilhões) no Reino Unido.
A pesquisa, publicada na revista científica Alzheimer’s & Dementia, utilizou evidências de 77 estudos distintos e dados de 1,48 milhão de participantes para identificar os custos humanos, sociais e financeiros das internações desnecessárias.
Analisando os dados publicados na literatura, os pesquisadores destacaram que pessoas com demência apresentaram um risco 42% maior de internação em unidades de cuidados agudos e um risco até 35% maior de reinternação. Uma vez internadas, essas pessoas permaneceram no hospital sete vezes mais tempo do que outros pacientes.
O estudo também alertou para a sobrecarga do sistema de saúde: a demora na alta e as longas permanências sobrecarregarm as equipes das linhas de frente, que atuam em ambientes inadequados para o cuidado de longo prazo de pacientes com demência. Até 87% dos profissionais de saúde afirmaram que cuidar desses pacientes é um grande desafio devido à escassez de recursos.
Por outro lado, a sobrecarga de familiares também é crítica: são, em média, mais de 100 horas semanais de trabalho, com alto custo para a saúde mental e suas carreiras.
Os pesquisadores também destacaram o impacto alarmante das internações sobre a condição das pessoas com demência: cerca de 46% dos pacientes desenvolvem delirium durante a estadia hospitalar, enquanto 90% das famílias descrevem os hospitais como locais assustadores e que causam confusão.
Os desafios de prestar assistência nesses ambientes levam, muitas vezes, a situações em que a equipe retira a autonomia, infantiliza e estigmatiza os pacientes, especialmente no que diz respeito à higiene pessoal e à alimentação.
Segundo o Dr. Andrew Sommerlad, professor de Psiquiatria na UCL, a pesquisa demonstrou claramente a importância de abordagens centradas na comunidade para reduzir internações e minimizar permanências prolongadas.
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