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Enfermeira cuidando de paciente com esclerose múltipla
Por Redação SciAdvances
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Em pacientes com esclerose múltipla, o declínio das capacidades físicas e cognitivas pode acontecer continuamente, mesmo sem a ocorrência explícita de recidivas da doença.
Atualmente, um dos desafios da ciência é identificar esse processo lento de declínio e quantificar sua evolução, tanto para conseguir acompanhar o progresso da doença quanto para avaliar a resposta ao tratamento.
Um exame de sangue que tem sido usado para acompanhar a esclerose múltipla mede a cadeia leve de neurofilamentos (NfL), um biomarcador que reflete principalmente a lesão neuroaxonal causada pela atividade inflamatória aguda da doença.
Mas, apesar de representar a assinatura biológica deixada pela inflamação, esse biomarcador não retrata especificamente a progressão lenta da doença.
Um grupo internacional de pesquisa composto por cientistas da Suíça, Itália, Espanha, Alemanha, França, Áustria, Suécia, China, EUA e Reino Unido conseguiu avançar na identificação de um novo biomarcador sanguíneo específico para detectar a progressão lenta da esclerose múltipla.
Sob a liderança do Dr. Jens Kuhle, professor da Universidade de Basileia e do Hospital Universitário de Basileia, na Suíça, os cientistas analisaram mais de 18.000 amostras de sangue e dados clínicos de mais de 2.300 pessoas com esclerose múltipla que participaram de dois dos maiores estudos de coorte de longo prazo sobre a doença, realizados na Suíça e nos Estados Unidos.
Em uma publicação na revista científica JAMA Neurology, a equipe de pesquisa relatou que níveis séricos elevados da proteína ácida fibrilar glial (GFAP) – uma proteína liberada pelos astrócitos no cérebro quando são ativados ou sofrem lesões – estavam associados ao risco de progressão da incapacidade, tanto em curto quanto em longo prazo.
Os cientistas também relataram que o biomarcador já utilizado (a NfL) forneceu informações diferentes, refletindo principalmente a atividade inflamatória da doença e o risco de surtos futuros. Assim, em conjunto, os dois biomarcadores (NfL e GFAP) poderiam mostrar um cenário mais preciso da doença.
Os pesquisadores também constataram que pacientes cujos níveis de GFAP diminuíram após o início do tratamento apresentaram menor risco de progressão futura da incapacidade.
Portanto, medições repetidas desse biomarcador poderiam auxiliar no monitoramento da progressão da doença e da resposta ao tratamento ao longo do tempo.
De acordo com o Dr. Maximilian Einsiedler, pesquisador do Hospital Universitário de Basileia e primeiro autor do estudo, esse resultado sugere que a GFAP pode captar mais do que apenas um retrato momentâneo da doença, refletindo processos biológicos que influenciam o avanço da doença.
No futuro, a proteína GFAP poderá auxiliar no monitoramento da progressão da doença, na avaliação da resposta ao tratamento e no desenvolvimento de novas terapias para a esclerose múltipla.
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