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Por Redação SciAdvances
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Os desafios de realizar um transplante renal com sucesso não são poucos. Além do equilíbrio delicado entre o controle da imunossupressão para evitar a rejeição do órgão e a prevenção de infecções ou toxicidades de medicamentos, existe o desafio inicial: ter um órgão compatível disponível.
A escassez de órgãos é um problema. Mesmo com a compatibilidade sanguínea, o cruzamento de exames de histocompatibilidade (HLA) pode revelar alta sensibilidade do receptor e inviabilizar o transplante.
Neste cenário, nos últimos anos têm surgido protocolos alternativos para viabilizar o aumento de transplantes entre doadores-receptores vivos, como os protocolos de transplante cruzado, que servem para viabilizar a doação de órgãos entre vivos quando há incompatibilidade sanguínea ou imunológica.
Na Itália, um protocolo inovador para o transplante renal tem sido aplicado desde 2018, com uma proposta diferente dos protocolos tradicionais. A iniciativa, inicialmente desenvolvida no Centro de Transplantes da Universidade de Pádua, foi posteriormente expandida para todo o país por meio da colaboração com o Centro Nacional de Transplantes e diversos outros centros italianos.
Com base no conceito de cadeia de transplantes cruzados, o protocolo tem início com um rim de um doador falecido, que destrava e inicia uma cadeia de trocas entre duplas de doadores e receptores vivos que são incompatíveis entre si. Então, o último doador vivo da sequência doa o órgão diretamente para um paciente na lista de espera tradicional, otimizando o aproveitamento dos órgãos.
O protocolo foi criado a partir de uma ideia pioneira da Dra. Lucrezia Furian, professora da Universidade de Pádua e diretora da Unidade de Cirurgia de Transplante de Rim e Pâncreas do Hospital da Universidade de Pádua.
Agora, os resultados da implementação do chamado ‘programa DEC-K’ entre os anos de 2018 e 2025 foram publicados na revista científica American Journal of Transplantation.
A publicação científica, que tem a professora Lucrezia Furian como coautora sênior, representa a primeira análise mundial de longo prazo de um programa nacional de doação renal cruzada iniciado por um doador falecido.
Os resultados demonstram o sucesso do programa: 34 cadeias DEC-K possibilitaram 84 transplantes renais, com uma média de 2,5 transplantes por cadeia iniciada e resultados de longo prazo comparáveis aos dos transplantes com doador vivo.
A estratégia é capaz de ampliar concretamente as oportunidades de transplante, especialmente para pacientes de difícil transplante devido a fatores imunológicos e para os quais encontrar um órgão compatível é extremamente complexo.
Segundo a Dra. Lucrezia Furian, este é um modelo capaz de ajudar a ampliar o número de pacientes elegíveis e a reduzir os tempos de espera para o transplante.
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