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Ilustração artística da divisão de células cancerosas
Por Redação SciAdvances
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O desenvolvimento do câncer é frequentemente acompanhado por uma alteração na expressão gênica, que inclui a transcrição da informação contida no DNA em RNA mensageiro. A enzima RNA polimerase II é uma das enzimas importantes envolvidas nesse processo. Quando algo interfere e desregula a RNA polimerase II, as células podem se transformar em células cancerosas.
Outras enzimas que trabalham ‘em parceria’ com a RNA polimerase II são as chamadas quinases dependentes de ciclinas (CDKs). São elas que controlam a atividade gênica nas células ao influenciar a RNA polimerase II e fatores de transcrição por meio da adição de grupos fosfato.
Recentemente, a busca por novas abordagens terapêuticas contra o câncer também tem considerado a inibição de CDKs como alvo promissor, já que essa ação pode reduzir a expressão gênica e interferir no processamento do RNA mensageiro.
O Dr. Matthias Geyer, professor da Universidade de Bonn, na Alemanha, e o Dr. Robert P. Fisher, pesquisador da Escola de Medicina Icahn em Monte Sinai, nos EUA, analisaram recentemente os avanços das pesquisas sobre a regulação transcricional das CDKs e as perspectivas para o tratamento do câncer. O estudo foi publicado na revista científica Nature Reviews Drug Discovery.
Como as células cancerígenas frequentemente dependem da genética para garantir seu crescimento e sobrevivência, novos medicamentos têm procurado bloquear especificamente as CDKs que impulsionam programas genéticos patológicos, podendo afetar as células tumorais de forma mais eficaz do que o tecido saudável.
Os cientistas demonstraram que tais abordagens apresentam grande potencial, especialmente para tipos de tumores agressivos, como leucemias e cânceres de mama, pulmão ou ovário.
O professor Matthias Geyer explicou que já existem quatro substâncias ativas diferentes que têm como alvo as quinases CDK4 e CDK6, utilizadas no tratamento do subtipo de câncer de mama HR+/HER2-negativo. A eficácia desses fármacos no câncer de próstata também está sendo investigada atualmente em estudos clínicos.
Na publicação, os pesquisadores apresentaram uma visão abrangente das estratégias modernas para o desenvolvimento de novos agentes inibidores de CDKs.
Além dos inibidores clássicos, existem perspectivas de desenvolvimento de tecnologias inovadoras, incluindo as chamadas ‘colas moleculares’, capazes de degradar proteínas específicas ou reprogramar vias de sinalização celular.
Um aspecto particularmente promissor é a possibilidade de combinar essas substâncias com terapias já existentes – como imunoterapias ou inibidores de PARP, que bloqueiam o reparo do DNA em células tumorais – para aumentar ainda mais a eficácia medicamentosa.
No entanto, os autores também ressaltaram desafios desses avanços: como as CDKs desempenham funções essenciais em células saudáveis, os novos fármacos precisam atuar com alta precisão para poupar essas células e reduzir efeitos colaterais.
O professor Matthias Geyer destacou que os avanços na biologia estrutural, na química e na pesquisa sobre o câncer devem convergir para novas perspectivas terapêuticas contra o câncer e doenças inflamatórias ao longo da próxima década.
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