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Por Redação SciAdvances
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A ciência já sabe que o aquecimento global pode provocar alterações significativas na agropecuária, seja por eventos extremos – como secas severas ou chuvas irregulares – ou pelo próprio estresse térmico gerado pelas altas temperaturas.
Em geral, temperaturas mais altas reduzem o bem-estar e a produtividade dos rebanhos, diminuindo a produção de carne e leite e também limitando as taxas de reprodução dos animais.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Cornell, nos EUA, e publicado na revista científica Environmental Research Letters, identificou um novo impacto das mudanças climáticas sobre a produção de leite.
Os pesquisadores descobriram que o estresse térmico em vacas leiteiras afeta não somente a quantidade de leite produzido mas também reduz o teor de gorduras e proteínas do leite.
O Dr. Ariel Ortiz-Bobea, professor da Universidade Cornell e autor sênior do estudo, destacou a dupla perda que advém das temperaturas mais altas, já que a produção diminui e o valor agregado do produto também diminui, devido à queda na qualidade.
Os pesquisadores analisaram 120 milhões de dados sobre a produção de leite nos EUA de 2007 a 2016, provenientes de cerca de 6,5 milhões de vacas, e compararam esses dados com informações meteorológicas do mesmo período. Os dados da produção leiteira foram fornecidos pelo Conselho Americano de Melhoramento Genético de Gado Leiteiro.
A análise mostrou que a temperatura e a umidade acima de um certo limite influenciam na queda da produção de leite. No caso dos efeitos negativos na composição do leite, principalmente com a redução de gorduras e proteínas, o limiar de temperatura parece ser ainda mais baixo, e a queda na qualidade foi aumentando com a elevação da temperatura.
Usando o chamado ‘Índice de Temperatura e Umidade’ (ITU) – uma métrica que envolve a temperatura do ar e a umidade relativa para estimar a sensação de calor e estresse térmico percebidos pelos animais -, os pesquisadores calcularam a potencial perda de receita dos produtores rurais.
Os cálculos mostraram que um aumento médio de 10 pontos no ITU – o que significaria, por exemplo, um aumento da temperatura de 24oC para 31oC, com uma umidade de 70% – pode resultar em uma redução de 1,2% na produção de leite e em uma redução de 2,8% na receita ao longo de um ano, ou seja, uma perda de US$ 1,65 bilhão (cerca de R$ 8,5 bilhões) para o setor.
O estudo também indicou poucas evidências de que as vacas estejam se tornando mais resistentes ao calor: vacas de diferentes idades, tamanhos de fazenda ou regiões responderam basicamente do mesmo modo ao aumento da temperatura.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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