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Nuvens baixas sobre o oceano
Por Redação SciAdvances
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As nuvens baixas são camadas uniformes ou grandes extensões irregulares situadas abaixo de cerca de 1.800 metros de altitude que cobrem vastas áreas dos mares subtropicais.
Quando essas nuvens baixas estão sobre os oceanos, elas desempenham um papel fundamental na manutenção do resfriamento do planeta, ao refletir a luz solar para longe da superfície.
No entanto, tem sido difícil desenvolver modelos sobre como as nuvens baixas reagem às mudanças climáticas, devido à alta capacidade de processamento computacional necessária para simular diversos cenários.
Agora, em um estudo publicado na revista científica Science Advances, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e do Google Research, nos EUA, melhoraram a compreensão sobre como as nuvens baixas podem responder ao aquecimento da superfície do mar e ao aumento dos níveis de CO2.
Segundo a Dra. Zhaoyi Shen, pesquisadora de pós-doutroado em Ciências Ambientais do Caltech e coautora do estudo, uma das maiores questões em aberto na previsão climática é como as nuvens baixas podem reagir ao aquecimento global.
A equipe utilizou dados meteorológicos de mais de 7.000 simulações de alta resolução de condições atmosféricas e de superfície de 500 locais selecionados aleatoriamente no Oceano Pacífico tropical, abrangendo quatro meses distintos para representar as variações sazonais.
Cada combinação de local e estação foi então usada para executar simulações sob quatro cenários de mudança climática: um aumento de 4 graus Celsius na temperatura da superfície do mar em relação à linha de base; a quadruplicação do CO2 atmosférico isoladamente; um aquecimento de 4 graus Celsius com o dobro de CO2; e um aquecimento de 4 graus Celsius com o quádruplo de CO2.
De acordo com o Dr. Zhaoyi Shen, os resultados indicaram ajustes rápidos e potencialmente significativos das nuvens baixas diante de altas concentrações de CO2, o que sugere que o clima da Terra pode ser mais sensível a níveis elevados de CO2 do que alguns modelos climáticos estimam atualmente.
A equipe também constatou que a redução da espessura das nuvens baixas intensifica o aquecimento global por meio de um ciclo fechado: o aumento da temperatura da superfície do mar resulta em menos nuvens, o que leva à menor reflexão da luz solar e um planeta mais quente.
De acordo com o Dr. Tapio Schneider, professor de Ciência e Engenharia Ambiental no Caltech e coautor do estudo, os resultados mostraram que as nuvens respondem diretamente às mudanças nos níveis de CO2, ou seja, a simples alteração do CO2 atmosférico modifica a forma como a radiação infravermelha se propaga pelo ar, afetando diretamente as nuvens, mesmo que as temperaturas sejam mantidas artificialmente constantes.
Em relação ao impacto do estudo para outras pesquisas, a Dra. Zhaoyi Shen ressaltou que o novo conjunto de dados, disponível publicamente, tem o potencial de ajudar a comunidade científica a avaliar e treinar modelos de turbulência, convecção e nuvens para avançar em modelos climáticos globais.
O código para a replicação das simulações e análises está disponível na plataforma Zenodo, e o respositório ativo está disponível como recurso adicional na plataforma GitHub.
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cesse os dados e simulações do estudo na plataforma Zenodo e na plataforma GitHub (em inglês).
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