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Por Redação SciAdvances
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Em pacientes com câncer, a caquexia é uma síndrome grave que altera o metabolismo e causa perda rápida de peso, massa muscular e gordura corporal. Mesmo com alimentação adequada, a caquexia pode levar a uma grave deterioração física.
Estima-se que a caquexia afete entre 50% e 80% de todos os pacientes oncológicos, sendo uma das complicações mais comuns da doença.
Além disso, a caquexia é um dos motivos pelos quais a quimioterapia frequentemente perde eficácia e o tratamento é interrompido, reduzindo, em última análise, as taxas de sobrevida.
Por outro lado, os medicamentos existentes limitam-se a estimular temporariamente o apetite e não conseguem tratar a causa da síndrome.
Uma pesquisa liderada por cientistas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST), na Coreia do Sul, desenvolveu uma estratégia terapêutica baseada em RNA que bloqueia um sinal cerebral e pode prevenir a perda muscular e prolongar a sobrevida de pacientes oncológicos com caquexia.
Os cientistas do KAIST trabalharam em parceria com colegas da Thor Therapeutics, uma startup iniciada no KAIST, e de outras instituições da Coreia do Sul e do Japão para desenvolver a nova terapêutica.
O grande avanço da pesquisa se deu quando os pesquisadores conseguiram identificar que, quando a proteína de sinalização GDF15 (Fator de Diferenciação e Crescimento 15) se liga à proteína receptora GFRAL (localizada no tronco encefálico), é iniciado um sinal que instrui o organismo a parar de comer e a degradar as reservas de músculo e gordura, provocando um declínio físico progressivo.
Para bloquear esse processo, foi desenvolvida uma terapia que utiliza oligonucleotídeos antissenso (ASO) – uma terapia baseada em RNA que suprime seletivamente a atividade de um gene específico – para impedir a produção da proteína GFRAL.
Ou seja, o tratamento desativa o receptor do sinal enviado pelas células cancerígenas que instrui o corpo a entrar em estado de caquexia. Ao bloquear a produção da proteína GFRAL na etapa do RNA, a terapia interrompe na origem o sinal que induz a caquexia.
O estudo foi publicado na revista científica Cell Reports Medicine.
Para testar a proposta, os cientistas administraram a terapia ASO em camundongos nos quais a caquexia do câncer já havia progredido.
O resultado foi uma redução significativa na perda de massa muscular e gordura, juntamente com a restauração da função metabólica que havia sido comprometida.
Embora o tratamento tenha sido iniciado após a doença já estar em estágio avançado, a taxa de sobrevivência ao final do estudo (depois de cerca de 50 dias) foi consideravelmente maior no grupo tratado (90%) do que no grupo não tratado (20%), demonstrando o potencial da terapia no tratamento da caquexia associada ao câncer.
Os cientistas esperam que a terapia possa ser utilizada como uma terapia adjuvante de nova geração, para melhorar a qualidade de vida dos pacientes, a eficácia do tratamento e as taxas de sobrevivência.
O Dr. Minho Shong, professor do KAIST e coautor sênior do estudo, destacou que a equipe pretende avançar para pesquisas pré-clínicas complementares, fabricação do medicamento e implementação de sistemas de controle de qualidade.
A ideia é iniciar estudos clínicos em pacientes com câncer até 2030 e finalmente transformar a terapia em um tratamento capaz de melhorar a qualidade de vida e as taxas de sobrevida dos pacientes.
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