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Ilustração de peixes da espécie Gasterosteus aculeatus
Por Redação SciAdvances
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O aumento das temperaturas globais representa uma das maiores ameaças à vida selvagem, especialmente para animais de sangue frio que dependem do ambiente para regular a temperatura corporal.
Embora alguns peixes oceânicos possam migrar para evitar o impacto de águas mais quentes, espécies que habitam águas sem saída para o mar serão forçadas a se adaptar ou serão extintas.
Compreender melhor como o aquecimento global poderá afetar a vida aquática é importante para prever os impactos futuros desse novo cenário.
Um estudo liderado por cientistas da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, e publicado na revista científica Nature Communications, revelou que a adaptação a águas mais quentes faz com que os peixes apresentem diversas diferenças comportamentais e biológicas, incluindo obesidade, alimentação excessiva e metabolismo mais lento.
Os pesquisadores realizaram o estudo nas águas geotérmicas naturalmente aquecidas da Islândia como modelo para analisar o potencial impacto do aquecimento global sobre a vida aquática.
Os cientistas analisaram o peixe Gasterosteus aculeatus, uma espécie que habita tanto as águas de temperatura média (mais frias) da Islândia quanto águas geotérmicas, onde os peixes nativos tiveram de se adaptar a condições de calor incomum, com temperaturas que podem ultrapassar 27,8°C.
Os pesquisadores analisaram o comportamento, a aparência e a genética dos peixes e constataram diferenças claras entre aqueles que vivem em águas mais frias e águas mais quentes.
Também participaram do estudo pesquisadores da Universidade de St. Andrews e da Universidade de Liverpool, no Reino Unido; da Universidade de Miami, nos EUA, e da Universidade da Islândia em Hólar, na Islândia. A pesquisadora brasileira Dra. Ana Paula Borges Costa, atualmente professora da Universidade de Miami, também é coautora do estudo.
Nas águas quentes, os peixes apresentaram hiperfagia, uma condição que provoca fome excessiva e ingestão exagerada de alimentos, acumulando mais gordura durante o verão.
Além da aparência e do comportamento, os peixes das águas quentes também apresentaram diversas adaptações no DNA.
Uma alteração genética fundamental foi detectada na via MAPK – um mecanismo de sinalização relacionado a fatores de crescimento e estresse – em todos os peixes adaptados a águas mais quentes, mas não naqueles adaptados a águas frias. Também foi identificada uma inversão no genoma nos peixes das águas aquecidas, que não ocorreu nos peixes de águas frias.
Os cientistas destacaram que tanto a via MAPK quanto a inversão no genoma contribuem para facilitar a adaptação a ambientes em aquecimento.
O Dr. Kevin Parsons, pesquisador da Universidade de Glasgow e coautor principal do estudo, destacou que a pesquisa é a primeira a demonstrar as alterações genéticas específicas decorrentes da adaptação a águas mais quentes, trazendo conhecimentos importantes sobre o impacto que as mudanças climáticas podem ter nos ecossistemas aquáticos.
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