Com publicação científica

monticello via Shutterstock
Alimentos ultraprocessados
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
Os alimentos ultraprocessados são produções industriais que contêm pouco ou nenhum alimento integral e incorporam, geralmente, muito sódio, açúcar e gorduras, além de aditivos como corantes e aromatizantes, o que acaba oferecendo um excesso de calorias vazias, sem os nutrientes necessários de uma alimentação saudável.
De acordo com o Guia Alimentar Para a População Brasileira, uma forma prática de distinguir os alimentos ultraprocessados é consultar a lista de ingredientes nas embalagens. A presença de ingredientes que remetem a nomes químicos ou artificiais (carboximetilcelulose, açúcar invertido, maltodextrina, xarope de milho, aromatizantes, emulsificantes, espessantes, adoçantes, entre outros), indica que esse alimento é ultraprocessado.
Um novo estudo conduzido por pesquisadoras da Universidade Monash e da Universidade Deakin, na Austrália, e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), mostrou que uma dieta rica em alimentos ultraprocessados pode ter um impacto negativo na capacidade de concentração do cérebro e aumentar o risco de desenvolver demência.
O estudo, publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia: Diagnosis, Assessment & Disease Monitoring, examinou a dieta e a saúde cognitiva de mais de 2.192 adultos australianos com idade entre 40 e 70 anos, sem histórico de demência. As pesquisadoras avaliaram a dieta, mediram a função cognitiva e estimaram o risco de demência.
Segundo a Dra. Barbara Cardoso, pesquisadora do Departamento de Nutrição, Dietética e Alimentos da Universidade Monash e autora principal do estudo, os participantes do estudo consumiram aproximadamente 41% de sua energia diária proveniente de alimentos ultraprocessados, valor muito próximo da média nacional australiana de 42%.
Os resultados demonstraram que um pequeno aumento diário no consumo de alimentos ultraprocessados está associado a uma queda na capacidade de atenção que pode ser medida – mesmo que a pessoa tenha uma alimentação saudável em outros momentos. A capacidade de atenção é fundamental para muitas funções cerebrais importantes, como aprendizado e resolução de problemas.
A Dra. Barbara Cardoso destacou as evidências da relação entre consumo de ultraprocessados e declínio cognitivo: para cada aumento de 10% no consumo de alimentos ultraprocessados, foi observada uma queda nítida e mensurável na capacidade de concentração da pessoa, além de um risco mais alto para demência.
Segundo a pesquisadora, esse aumento no consumo de ultraprocessados se traduziu, em termos clínicos, em pontuações consistentemente mais baixas em testes cognitivos padronizados que medem a atenção visual e a velocidade de processamento.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Universidade Northwestern


