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Por Redação SciAdvances
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A adaptação a um novo fuso horário ou a um turno de trabalho diferente pode deixar o relógio biológico do corpo desajustado por dias, contribuindo para distúrbios do sono, alterações metabólicas e outras consequências para a saúde.
Para evitar esses problemas, equipes de pesquisa têm trabalho no desenvolvimento de terapias metabólicas que possam contribuir para ajustar o ritmo circadiano e melhorar a adaptação do corpo à nova situação.
Pesquisadores da Universidade Rice, Universidade Northwestern e da empresa de biotecnologia CellTrans, nos EUA, desenvolveram uma terapia celular implantável que pode ajudar o organismo a se adaptar mais rapidamente a mudanças horárias repentinas, como acontece em viagens internacionais ou em mudanças de turno de trabalho.
Em testes com roedores e primatas não humanos, células encapsuladas e modificadas para produzir continuamente o hormônio metabólico leptina conseguiram reduzir o tempo necessário para que os animais se ajustassem a mudanças no ciclo claro-escuro.
O estudo, publicado na revista Advanced Science, fornece as primeiras evidências de que terapias celulares poderiam regular ritmos circadianos por meio de sinalização metabólica e tratar distúrbios circadianos.
A terapia consiste em células do epitélio pigmentar da retina humana modificadas para produzir o hormônio leptina, encapsuladas em esferas microscópicas de alginato que as protegem do sistema imune.
Após uma simples injeção subcutânea, as células encapsuladas elevam temporariamente os níveis de leptina circulante antes de perderem naturalmente a viabilidade com o passar do tempo.
Em testes com animais, os pesquisadores monitoraram diversos indicadores fisiológicos de alinhamento circadiano, incluindo atividade, frequência cardíaca e temperatura corporal central.
Camundongos que receberam a terapia celular produtora de leptina ajustaram-se significativamente mais rápido após avanços e atrasos de fase no ciclo claro-escuro. Os camundongos tratados com a terapia adaptaram-se a um atraso de quatro horas no cronograma 50% mais rápido do que os animais do grupo de controle.
Os pesquisadores também testaram a terapia em macacos-cinomolgos, cujos padrões de sono e vigília se assemelham mais aos dos humanos. O tratamento foi bem tolerado e reduziu em cerca de um dia o tempo necessário para o reajuste do ritmo biológico após mudanças de horário de seis horas, em comparação com os grupos de controle.
Além disso, a terapia não afetou negativamente o sono: a análise da arquitetura do sono nos primatas não humanos não revelou redução no tempo total de sono, nem no sono REM (movimento rápido dos olhos) ou no sono não REM.
Os pesquisadores acreditam que a plataforma poderá, futuramente, ser explorada para aplicações que envolvam desregulação circadiana frequente, incluindo mudanças de turnos de trabalho, operações militares, viagens internacionais e outras situações em que a rápida adaptação a mudanças de horário seja importante.
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