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Mudas de arroz crescendo em campo agrícola de Taiwan
Por Redação SciAdvances
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O arroz é o terceiro maior cereal mais produzido globalmente, atrás apenas do milho e do trigo, e estima-se que seja consumido por mais da metade da população do planeta. Ou seja, quedas acentuadas na produtividade agrícola do arroz podem afetar de modo importante a segurança alimentar global.
Porém, cientistas ainda não conseguem realizar boas previsões sobre como as safras de arroz poderão ser afetadas pelo aquecimento global, já que a maioria dos estudos realizados até agora considerou a influência do aumento de temperaturas médias, e não o impacto de eventos de calor extremo.
Por ser uma cultura sensível ao calor – principalmente durante as fases reprodutivas, incluindo o florescimento e o enchimento dos grãos -, eventos de calor extremo podem ter alto impacto sobre a produtividade agrícola do arroz.
Um estudo internacional publicado na revista científica Science Advances por pesquisadores da China, EUA, Alemanha, França e Filipinas mostrou que temperaturas extremamente altas são o principal fator responsável pelas perdas na produtividade do arroz associadas ao aquecimento global.
A equipe de pesquisa analisou 214 observações provenientes de experimentos de aquecimento em campo realizados em todo o mundo e fez comparações com simulações de sete modelos de cultura.
O estudo apresentou uma nova abordagem para aprimorar modelos globais de culturas agrícolas, incorporando evidências obtidas em campo sobre a vulnerabilidade ao calor.
O estudo constatou que os modelos de previsão existentes subestimam consideravelmente a sensibilidade do arroz ao calor extremo.
Os resultados mostraram que temperaturas acima de 30°C são um fator determinante para perdas na produtividade das plantações de arroz: em mais de 70% das observações, a exposição ao calor foi responsável por mais da metade das variações de produtividade observadas.
Em um cenário de aquecimento global de 1°C, modelos anteriores projetavam uma queda de produtividade global média de 3,8%, enquanto correções baseadas nas observações de campo elevaram essa estimativa para uma queda média de 8,1%.
Os resultados foram mais críticos no Sul e Sudeste Asiático, onde a produção de arroz está altamente exposta ao estresse térmico.
Para o Paquistão, a Índia e Bangladesh, as perdas projetadas na produtividade aumentaram de 2,1% para 6,6% após a correção dos modelos. Essas descobertas destacam que o calor extremo é um fator crítico para os riscos agrícolas futuros.
De acordo com os pesquisadores, o estudo mostrou a necessidade de estratégias de adaptação climática, incluindo variedades de arroz tolerantes ao calor, calendários de plantio otimizados, melhor gestão da irrigação e práticas aprimoradas de manejo do solo.
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