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Por Redação SciAdvances
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Os vasos capilares garantem o fornecimento de oxigênio e nutrientes para as células musculares, e também desempenham o importante papel de eliminar resíduos metabólicos.
Em especial para atletas de esportes de resistência, ter mais capilares é uma vantagem em comparação com atletas de esportes explosivos, para quem a força muscular e o acesso rápido à energia são fatores cruciais.
De qualquer modo, a saúde muscular, com seus diferentes requisitos de desempenho, acaba impactando na saúde como um todo, envolvendo não só a saúde metabólica como também condições de reabilitação específicas.
Na Suécia, pesquisadores examinaram músculos e DNA de pouco mais de 600 participantes de um estudo inicial para constatar a associação entre genética e vascularização muscular.
O estudo identificou uma variante genética que poderia estar ligada à quantidade de capilares no tecido muscular. Além disso, também foi observado que atletas de esportes de resistência tinham o dobro da probabilidade de portar essa variante genética em comparação com não atletas.
A variante afeta um gene que controla a proteína que regula a formação dos vasos sanguíneos ao redor das fibras musculares. Ou seja, com a variante genética, menos dessa proteína é produzida, o que significa que mais vasos sanguíneos novos seriam formados.
O Dr. Ola Hansson, professor e pesquisador da Universidade Lund, explicou que o estudo identificou o que seria um ‘freio genético’: se o gene faz com que menos proteína seja produzida, mais capilares são formados, o transporte de oxigênio no músculo aumenta e, finalmente, aumenta a resistência muscular.
Agora, em um estudo internacional multicêntrico liderado pela Universidade Lund, na Suécia, envolveu mais de 50 pesquisadores e examinou o DNA de atletas de elite em seis países para reafirmar o papel dessa variante genética. De fato, os cientistas observaram que a variante controla a capacidade do corpo de formar novos vasos sanguíneos nos músculos – um mecanismo que afeta o desempenho físico, a saúde e a reabilitação.
Os resultados foram confirmados em grupos independentes de atletas internacionais e identificados entre atletas da Europa, América e Ásia. Também foi descoberto que a variante se mostrou extremamente rara entre atletas de esportes explosivos, como velocistas.
Uma conclusão importante dos pesquisadores foi que é possível limitar a função de ‘freio genético’ por meio de treinamento intervalado de alta intensidade, reduzindo a atividade da proteína que controla a formação de novos vasos sanguíneos.
Porém, nem tudo são flores: a variante genética que promove o rápido crescimento vascular também está ligada a uma resposta inflamatória aumentada e, em certos casos, a um maior risco de lesões musculares, o que traz desafios para alcançar uma condição de equilíbrio tanto na medicina esportiva quanto na saúde pública.
De qualquer modo, esse novo conhecimento pode contribuir para programas de treinamento mais individualizados, melhor reabilitação e, talvez, novos tratamentos para doenças metabólicas.
Os resultados foram publicados na revista científica Cell Reports.
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