Com publicação científica
Cobras sem fome
Pesquisadores descobrem como as cobras evoluíram para sobreviver a longos períodos de jejum
Animais podem se adaptar a ambientes extremos onde a disponibilidade de alimento é baixíssima e irregular

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Por Redação SciAdvances
10 de março de 2026, 14:42
Fonte
Áreas
Biologia, Genética, Genômica, Metabolismo, Microbiologia, Zoologia
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Cobras sem fome
Dependendo da idade, espécie, temperatura do ambiente e quantidade de alimento consumido na última refeição, cobras podem ficar meses – ou até mesmo um ano, em alguns casos – sem se alimentar.
Sendo animais ectotérmicos – os chamados animais de ‘sangue frio’, que dependem de fontes externas de calor para regular sua temperatura corporal – as cobras costumam apresentar um gasto energético muito baixo, devido ao seu metabolismo, que pode ser extremamente lento.
Apesar desse conhecimento, ainda faltava à ciência saber como estes répteis vertebrados evoluíram até chegar a essa configuração biológica atual.
Avanço: perda de gene responsável pela produção de hormônio específico interferiu evolutivamente na capacidade de sobreviver por longos períodos de jejum
Recentemente, um novo estudo internacional, publicado na revista científica Open Biology e liderado por pesquisadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), em Portugal, revelou como as cobras conseguem ser, atualmente, tão resilientes à falta de alimento mesmo por períodos prolongados de tempo.
Essa característica se deve à perda evolutiva de um gene responsável pela produção da grelina, um hormônio envolvido no metabolismo energético.
A perda genética alterou a fisiologia do animal, favorecendo o armazenamento e a utilização muito eficiente de energia.
Rui Pinto, pesquisador na área de evolução metabólica do CIIMAR, doutorando em Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) e primeiro autor do estudo, explicou que, sem a grelina, as cobras parecem ter desenvolvido mecanismos alternativos para controlar o apetite e gerir as reservas energéticas, tornando-se verdadeiros especialistas em sobreviver a longos períodos de escassez alimentar.
Descobertas podem favorecer a ciência da obesidade, diabetes e distúrbios metabólicos
Os pesquisadores ressaltaram que o estudo mostrou algo básico da Biologia da Evolução: não só ganhar, mas também perder genes pode ser um efeito da adaptação evolutiva da vida na Terra.
O Dr. Filipe Castro, professor da FCUP que lidera o grupo de pesquisa em Genética e Evolução Animal do CIIMAR e é um dos autores sêniores do estudo, destacou que a pesquisa abre novas portas para avançar na compreensão do metabolismo energético e até de doenças humanas relacionadas com o controle do apetite e do metabolismo, como a obesidade, o diabetes e outros distúrbios metabólicos.
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Divulgação, Universidade de Vigo
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Mais Informações
Acesse a página do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).
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