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Rhiannon Koch, Universidade Adelaide
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Resumo
Um novo estudo de revisão da literatura considerou 32 estudos pré-clínicos e 8 estudos clínicos para compreender melhor como diferentes dietas integrais, componentes dietéticos e suplementos nutricionais podem influenciar a resposta do câncer de mama à quimioterapia e qual o respectivo mecanismo de ação.
Os cientistas descobriram que dietas integrais, dietas que simulam o jejum e dietas cetogênicas tiveram efeitos benéficos na resposta do tumor à quimioterapia.
Agora, mais estudos são necessários para ampliar as possibilidades de intervenções nutricionais personalizadas como adjuvantes à quimioterapia no câncer de mama.
Foco do Estudo
Por que é importante?
O câncer de mama afeta milhões de pessoas em todo o mundo, com uma em cada oito mulheres e um em cada 68 homens diagnosticados ao longo da vida.
Para muitas pessoas, a quimioterapia é a base do tratamento, mas pode causar efeitos colaterais graves e limitar a qualidade de vida.
Estudo
Um novo estudo mostrou que modificar os hábitos alimentares e consumir certos alimentos pode ajudar a reduzir tumores de câncer de mama, além de diminuir os efeitos colaterais associados à quimioterapia.
Ifeoma Dikeocha, doutoranda na Universidade Adelaide – nova instituição resultante da fusão da Universidade de Adelaide com a Universidade da Austrália Meridional (UniSA) – e membros do grupo de Tratamento e Toxicidade do Câncer, liderado pela professora Dra. Joanne Bowen, realizaram uma revisão abrangente de 40 estudos internacionais.
Certos padrões alimentares estão associados à influência na forma como o tumor de uma pessoa cresce e podem até reduzir a taxa de disseminação do tumor.
“Em nosso estudo, sintetizamos criticamente os dados de 32 estudos pré-clínicos e 8 estudos clínicos para entender como diferentes dietas integrais (dieta que simula o jejum, dieta cetogênica e dieta mediterrânea), componentes dietéticos (probióticos, proteína do soro do leite) e suplementos nutricionais (óleos de peixe, extratos de ervas e minerais) podem influenciar a resposta do tumor à quimioterapia e qual mecanismo de ação pode ser responsável em nível celular”, explicou Ifeoma Dikeocha.
O estudo foi publicado na revista Clinical Nutrition ESPEN.
Quando uma pessoa com câncer de mama muda seus hábitos alimentares, especialmente com a orientação de um nutricionista ou dietista como parte de sua equipe de tratamento oncológico, ela pode apresentar menos efeitos colaterais e obter resultados mais eficazes com o tratamento quimioterápico
Resultados
“Descobrimos que dietas integrais, dietas que simulam o jejum e dietas cetogênicas tiveram efeitos benéficos na resposta do tumor à quimioterapia, mas o jejum mostrou-se mais eficaz contra o câncer de mama triplo negativo em comparação com a dieta cetogênica, enquanto ambas controlaram eficazmente a metástase tumoral em estudos com animais”, destacou a doutoranda.
“É importante ressaltar que não existe uma modificação dietética exata que seja adequada para todos, pois este ainda é um campo em evolução, com diversas opiniões e descobertas”, continuou a pesquisadora.
Agora, são necessários mais estudos para explorar como as características únicas de cada paciente, as características do tumor e as preferências alimentares podem ser benéficas para melhorar o resultado da modificação da dieta durante o tratamento do câncer.
“Nosso trabalho nos ajuda a compreender a relação especial entre os hábitos alimentares de uma pessoa e como os tumores reagem, o que pode abrir novos caminhos para um manejo e tratamento mais eficientes do câncer de mama, com menos complicações”, concluiu Ifeoma Dikeocha
Os pesquisadores destacaram que a revisão indicou áreas que necessitam de mais pesquisas para ampliar as oportunidades de intervenções nutricionais como adjuvantes à quimioterapia no câncer de mama.
Compreender a relação entre dieta, suplementos nutricionais e a resposta do tumor de câncer de mama pode abrir novos caminhos para a medicina de precisão, permitindo que os profissionais de saúde ofereçam aconselhamento dietético ou intervenções específicas com base nas necessidades individuais dos pacientes. Isso também pode levar a um melhor bem-estar do paciente, redução dos efeitos colaterais relacionados à quimioterapia e, potencialmente, prolongamento da sobrevida
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Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Clinical Nutrition ESPEN (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade Adelaide (em inglês).
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