Com publicação científica
Reparo dos músculos da deglutição
Gel injetável aumenta sobrevivência de células-tronco e pode avançar medicina regenerativa
Novo biomaterial aumenta em cerca de cinco vezes a sobrevivência de células-tronco após aplicação em testes pré-clínicos

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Problemas nos músculos da deglutição podem atrapalhar até o simples ato de beber água
Por Redação SciAdvances
20 de março de 2026, 14:50
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Áreas
Bioengenharia, Biomateriais, Biotecnologia, Engenharia Biológica, Medicina, Medicina Regenerativa, Nanotecnologia, Otorrinolaringologia
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Reparo dos músculos da deglutição
A deglutição – o processo fisiológico de transporte de alimentos sólidos, líquidos ou saliva desde a boca até o estômago – é um processo complexo e coordenado que envolve vários grupos musculares, englobando estruturas da boca, faringe, laringe e esôfago.
Estima-se que distúrbios da deglutição afetem cerca de 8% da população mundial, incluindo sobreviventes de acidente vascular cerebral (AVC) e pacientes tratados com radioterapia para câncer de cabeça e pescoço. As consequências podem variar de desnutrição e desidratação a pneumonia com risco de vida.
Embora células-tronco possam potencialmente reparar músculos da deglutição danificados, os cientistas têm enfrentado um grande desafio em garantir que as células sobrevivam após aplicação local.
Avanço: novo biomaterial pode viabilizar aplicação de células-tronco para regeneração muscular
Um novo biomaterial na forma de gel injetável, desenvolvido por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, e da Universidade de Quioto, no Japão, pode trazer avanços para tratamentos com células-tronco para distúrbios da deglutição.
Em um estudo pré-clínico, com resultados publicados na revista científica Biomaterials, uma nova abordagem melhorou a sobrevivência das células-tronco aplicadas à regeneração de músculos da deglutição em mais de cinco vezes em comparação com métodos tradicionais.
A Dra. Nicole Li-Jessen, professora da Universidade McGill e autora sênior do estudo, destacou que a nova abordagem minimamente invasiva poderá potencialmente ajudar a restaurar a função normal de deglutição para pacientes cujas opções atuais se limitam a exercícios de reabilitação ou cirurgia.
Inclusive, segundo a professora, o mesmo gel já passou por testes clínicos de Fase I e II no Japão como parte de uma vacina experimental contra o câncer.
Tecnologia híbrida mistura células-tronco com gel biodegradável
Para evitar a morte das células-tronco pela falta de oxigênio causada pela densa aglomeração das células, os pesquisadores criaram uma tecnologia híbrida que junta, às células-tronco mesenquimais derivadas de tecido adiposo, fragmentos de nanogel-microfibra como espaçadores estruturais em esferoides. Esses fragmentos aumentam a viabilidade e a função celular das células-tronco.
Segundo o Dr. Hideaki Okuyama, pesquisador da Universidade de Quioto e primeiro autor do estudo, é o gel que permite a circulação de oxigênio e nutrientes no aglomerado de células-tronco, viabilizando sua sobrevivência.
Em laboratório, os aglomerados híbridos de células-tronco e gel conseguiram liberar níveis mais altos de substâncias reparadoras do tecido danificado. Em camundongos, uma única injeção aumentou a retenção de células-tronco e melhorou em 9% a atividade dos músculos da deglutição após três semanas.
Agora, os pesquisadores estão estudando a durabilidade do gel em logo prazo e explorando se a abordagem poderia ser adaptada para tratar outras condições, incluindo lesões nas cordas vocais, perda muscular relacionada à idade e distrofia muscular.
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