Com publicação científica
Caquexia no câncer
Potencial anticorpo poderá ajudar a preservar apetite e força muscular em pacientes com câncer
Anticorpo que inibe sinalização importante no processo de caquexia apresentou bons resultados em estudo pré-clínico com animais

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Caquexia pode afetar o apetite, peso, força muscular e gasto energético em pacientes com câncer
Por Redação SciAdvances
5 de novembro de 2026, 16:22
Fonte
Áreas
Bioinformática, Biologia, Bioquímica, Biotecnologia, Desenvolvimento de Fármacos, Engenharia Biológica, Entrega de Medicamentos, Farmacologia, Farmácia Oncológica, Medicina, Medicina de Precisão, Metabolismo, Oncologia, Patologia, Quimioterapia, Toxicologia
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Caquexia no câncer
Na caquexia associada ao câncer, a doença altera a forma como o corpo utiliza nutrientes e energia e o organismo entra em um estado de catabolismo persistente. Neste caso, o paciente oncológico perde peso, massa muscular esquelética e eventualmente gordura.
Como uma síndrome complexa que envolve múltiplos fatores, não é possível revertê-la apenas com tratamento nutricional.
A síndrome, que costuma evoluir desde a pré-caquexia até a caquexia refratária, quando o corpo não responde mais aos tratamentos anticâncer ou nutricionais, pode comprometer significativamente a qualidade de vida e a sobrevida do paciente.
Avanço: anticorpo bloqueia sinal de receptor que ativa o processo de caquexia no câncer
Recentemente, uma equipe de pesquisa liderada por cientistas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST), na Coreia do Sul, desenvolveu um candidato terapêutico que bloqueia um sinal responsável pela supressão do apetite, pela perda de peso e pelo gasto energético excessivo em pacientes oncológicos.
O câncer ou situações de estresse intenso elevam o nível de uma proteína sanguínea que se liga a um receptor no tronco encefálico, o que desencadeia um sinal que reduz o apetite e afeta o uso de energia.
Então, a equipe de pesquisa desenvolveu um anticorpo candidato – uma proteína chamada GB2Ab que ainda está sendo analisada quanto à sua eficácia e segurança – com a finalidade de se ligar a esse receptor e ‘desligar’ a sinalização envolvida na perda de apetite e no consumo excessivo de energia.
Os pesquisadores conseguiram identificar onde e como o anticorpo se liga, revelando seu mecanismo de ação. Com base nessas descobertas, o anticorpo foi modificado para melhorar sua eficiência de produção e estabilidade.
Resultados importantes em estudo pré-clínico com animais devem viabilizar estudo clínico em humanos
Em experimentos com camundongos com câncer colorretal, o anticorpo conseguiu amenizar a caquexia oncológica, bloqueando a sinalização que contribui para o desgaste físico e demonstrando efeitos terapêuticos significativos nos animais.
Os camundongos tratados com o anticorpo voltaram a se alimentar, e seu peso corporal — excluindo o peso do tumor — foi cerca de 20% maior do que o dos camundongos não tratados. As perdas de massa muscular esquelética e gordura também foram reduzidas.
Além disso, a força de preensão dos animais tratados foi cerca de 30% maior do que a dos camundongos não tratados, atingindo aproximadamente 90% do nível observado em camundongos saudáveis. Esses resultados mostraram a melhora na função muscular, para além da melhora na alimentação.
Finalmente, o terceiro resultado importante foi a capacidade do anticorpo de reduzir a atividade excessiva no sistema nervoso simpático – que regula a resposta do corpo ao estresse e o uso de energia – controlando o gasto energético excessivo.
De qualquer modo, os cientistas explicaram que ainda são necessários testes adicionais, incluindo estudos clínicos em humanos, para garantir a segurança e a eficácia antes que o anticorpo possa estar disponível para o tratamento de pacientes.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
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