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Comércio da vida selvagem
Comércio global de espécies selvagens é muito maior do que se imaginava
Estudo internacional atualizou a quantidade de espécies envolvidas em atividades comerciais, mas ainda faltam dados para uma análise mais completa

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Exploração comercial da vida selvagem é maior do que se imaginava
Por Redação SciAdvances
5 de novembro de 2026, 10:27
Fonte
Áreas
Assuntos Regulatórios, Biologia, Botânica, Ecologia, Sustentabilidade, Vigilância Sanitária, Zoologia
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Comércio da vida selvagem
O comércio de vida selvagem é amplamente reconhecido como uma das principais ameaças à biodiversidade e à sobrevivência das espécies.
No entanto, compreender sua dimensão total tem sido um desafio, devido à coleta de dados fragmentada e inconsistente entre diferentes espécies e regiões.
Tanto o comércio legal quanto o comércio da vida selvagem ainda carecem de dados disponíveis para análise. Mas esforços de pesquisa têm tentado avançar em estimativas mais robustas sobre essas atividades.
Avanço: estudo abrangente traz novos números sobre o comércio da vida selvagem
Um estudo internacional, publicado na revista Science Advances, apontou que 107.356 espécies são atualmente utilizadas e comercializadas em escala global, incluindo até 47.685 espécies animais.
A nova pesquisa apresentou o panorama mais completo até o momento sobre o comércio de vida selvagem, abrangendo plantas, animais e fungos.
Os resultados indicam que aproximadamente 42% de todas as espécies de vertebrados descritas estão envolvidas em atividades comerciais.
Mas esse cenário pode ter uma extensão ainda maior: devido à limitação dos dados, existe a preocupação de que a escala real desse comércio possa ser ainda maior do que os números atuais sugerem.
O estudo foi liderado por cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália; da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e do Centro de Monitoramento da Conservação Mundial do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-WCMC), e teve a participação de 24 cientistas de diversas instituições no Reino Unido, Austrália, EUA, Portugal, Chile, Alemanha e Turquia.
Lacunas de dados impedem uma visão mais aprofundada sobre a real dimensão da comercialização da vida selvagem
Os pesquisadores observaram que a coleta de dados permanece fortemente concentrada em um número reduzido de setores e estruturas regulatórias, ou seja, existe uma lacuna importante nos números disponíveis.
Embora informações importantes possam ser obtidas de acordos internacionais — como a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) — e sistemas de monitoramento da pesca, ainda existem grandes lacunas em relação a muitas espécies comercializadas.
Mais de um quarto das espécies animais identificadas no estudo foram registradas apenas por meio de conjuntos de dados referentes ao comércio que entra nos Estados Unidos, o que evidencia a ausência de sistemas de monitoramento equivalentes em muitas outras regiões.
Diante dessas condições, os cientistas sugerem que a estimativa de 107.356 espécies comercializadas é, provavelmente, conservadora.
De acordo com o Dr. Samuel Pironon, professor de Biologia da Conservação na Universidade Queen Mary de Londres, no Reino Unido, e coautor do estudo, sem informações mais precisas sobre quais espécies estão sendo comercializadas, em que quantidades e se elas provêm de populações selvagens ou de programas de criação em cativeiro, torna-se extremamente difícil avaliar se esse comércio é sustentável.
De qualquer modo, os cientistas ressaltaram que o monitoramento mais preciso do comércio de vida selvagem deve ser uma prioridade internacional, caso realmente haja o compromisso real de atingir as metas globais de biodiversidade e proteger as espécies contra a superexploração.
Segundo os cientistas, mesmo o comércio legal de vida selvagem – que tem um valor estimado de cerca de dez vezes maior do que o comércio ilegal – permanece pouco monitorado em muitos grupos taxonômicos.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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