Com publicação científica

Ground Picture via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
Do ponto de vista da psicologia, a perda do trabalho afeta a mente humana, podendo gerar queda na autoestima, ansiedade, culpa e vergonha, isolamento social e transtornos emocionais, já que o trabalho não traz apenas recursos financeiros, mas também um sentido de identidade e utilidade para a pessoa.
Além disso, pessoas do círculo íntimo também podem ser impactadas, o que traz desafios ainda maiores.
Neste cenário, cientistas têm estudado como o evento crítico da perda do emprego pode afetar psicologicamente as pessoas envolvidas, direta e indiretamente.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Roma Sapienza, na Itália, e da Universidade da Califórnia em Davis, nos EUA, mostrou que a perda de emprego tem um impacto que vai muito além das questões financeira e econômica, podendo alterar profundamente a forma como as pessoas pensam, reagem e se relacionam com os outros.
No estudo longitudinal, os pesquisadores acompanharam mais de 1.100 adultos durante 16 anos, observando mudanças em traços fundamentais da personalidade, tanto indivíduos solteiros quanto pessoas que mantinham relacionamentos.
O estudo foi publicado na revista científica Journal of Personality and Social Psychology.
A análise dos resultados indicou um enfraquecimento de certas características-chave na pessoa que perde o emprego, principalmente da conscienciosidade (a capacidade de se organizar e buscar objetivos) e amabilidade.
Além disso, o processo natural de aumento da estabilidade emocional, que acontece normalmente durante o envelhecimento, é interrompido, o que ajuda a fragilizar ainda mais a pessoa.
Segundo os pesquisadores, quando o desemprego acontece no âmbito de um casal, ocorre um efeito de ‘transbordamento’ para o parceiro. Em alguns casos, as consequências para a personalidade do parceiro que permanece empregado são ainda mais acentuadas do que aquelas observadas na pessoa que efetivamente perdeu o emprego.
Mas a descoberta mais significativa diz respeito às diferenças baseadas no gênero do parceiro que perde o emprego. Os efeitos na personalidade são mais acentuados quando o parceiro desempregado é homem; nesses casos, foi observado um declínio mais acentuado, ao longo do tempo, em traços como amabilidade, conscienciosidade e abertura a experiências na parceira, que permaneceu empregada. Por outro lado, quando o desemprego acontece com a parceira, esses traços são menos marcantes, o que mostra dinâmicas sociais profundamente enraizadas.
De qualquer modo, as implicações dessas mudanças psicossociais trazidas pela perda do emprego podem ser profundas.
Se o desemprego altera a personalidade — mesmo que indiretamente, por meio de relacionamentos próximos —, então os ‘custos’ vão muito além dos indicadores econômicos, e afetam a qualidade dos relacionamentos, a estabilidade dos casais e a capacidade de lidar com o estresse e de planejar o futuro.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Últimos avanços

Jaroslav Machacek via Shutterstock

Divulgação, Universidade de Alberta
Publicidade
Publicidade






