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El Niño pode alterar regimes de chuva e perfis de temperatura em várias partes do planeta
Por Redação SciAdvances
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O El Niño é um fenômeno climático global caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Este aquecimento faz com que a circulação atmosférica mude e sejam alterados os regimes de chuva e os perfis de temperatura em várias partes do planeta.
Ultimamente, várias fontes de monitoramento ambiental – incluindo a Organização Meteorológica Mundial (OMM) e a agência norte-americana NOAA – têm confirmado que o fenômeno tem grande chance de ser potencialmente intenso, podendo levar a recordes históricos de temperaturas, provavelmente entre o final de 2026 e o início de 2027.
De acordo com especialistas, os efeitos diretos do El Niño serão sentidos em todo o mundo e poderão intensificar eventos climáticos extremos em regiões como a Índia, Leste Asiático, América do Sul, partes da África e Pacífico Ocidental.
Além da agricultura e pecuária, o El Niño pode ter um impacto importante sobre a Saúde Pública, incluindo a propagação de doenças infecciosas; aumento de problemas respiratórios e cardiovasculares; e aumento do estresse térmico, devido às fortes ondas de calor.
Em uma publicação recente na revista científica The Lancet, pesquisadores da Universidade de Bristol e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, alertaram que, por se tratar de um fenômeno crítico que pode ser previsto com meses de antecedência, medidas preparatórias para enfrentar o El Niño devem ser implementadas para mitigar seu impacto, especialmente em países mais vulneráveis.
De acordo com os cientistas, embora seja amplamente reconhecido que o El Niño agrava diversos riscos à saúde decorrentes das mudanças climáticas, as ameaças adicionais que ele apresenta ainda não estão bem delimitadas.
A Dra. Ruby Lieber, pesquisadora de Ciência do Clima na Universidade de Bristol e autora principal do estudo, destacou que existe uma necessidade urgente e sem precedentes de compreender, medir e identificar com precisão os diferentes perigos para cada país e localidade.
O estudo recomenda cinco ações importantes enfrentar os riscos, o que é essencial para mitigar e minimizar as prováveis consequências:
- As Nações Unidas e outros organismos internacionais devem abordar a necessidade urgente de proteger a saúde e prevenir doenças quando o El Niño for oficialmente declarado;
- Governos nacionais devem receber apoio para avaliar os efeitos do El Niño na saúde da população e implementar as precauções necessárias, incluindo sistemas de alerta precoce;
- Estudos de atribuição entre clima e saúde focados no El Niño devem ser ampliados, utilizando as descobertas para embasar e moldar políticas e práticas;
- Os efeitos do El Niño sobre a saúde devem ser monitorados continuamente para se ter um panorama abrangente de seu impacto em evolução e ajudar a identificar e preencher lacunas de evidências.
- O custo-benefício das medidas adotadas na relação clima-saúde – como sistemas de alerta precoce, fortalecimento da capacidade do sistema de saúde, proteção contra inundações urbanas e ações de resiliência dos sistemas alimentares – deve ser continuamente avaliado.
Segundo a Dra. Ruby Lieber, essas medidas necessitam da colaboração entre pesquisadores das áreas de clima e saúde e uma ação conjunta entre financiadores de pesquisas, a Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema da ONU como um todo, o Banco Mundial e organizações não governamentais.
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