Com publicação científica
Monitoramento ambiental do semiárido
IA ajuda a melhorar mapeamento do bioma Caatinga no RN
Resultados podem subsidiar ações de planejamento territorial e ambiental, gestão dos recursos naturais e tomadas de decisão

Cacio Murilo via Shutterstock
Na Caatinga, a paisagem inclui cactos nativos e afloramentos rochosos
Por Redação SciAdvances
27 de outubro de 2026, 19:35
Fonte
Áreas
Ciência Ambiental, Ciência de Dados, Computação, Engenharia Ambiental, Engenharia Florestal, Geociências, Geografia, Gestão Ambiental, Meteorologia, Modelagem Matemática, Monitoramento Ambiental, Saúde Ambiental, Sensoriamento Remoto, Simulação Computacional
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Monitoramento ambiental do semiárido
O bioma Caatinga cobre cerca de 10% do território brasileiro no Nordeste e parte do Norte de Minas e seu monitoramento ambiental através de satélites não é fácil.
Com clima tropical semiárido, a caatinga costuma apresentar galhos e troncos secos quando as plantas perdem as folhas na época de estiagem, ganhando um visual em tom cinzento uniforme, o que faz com que aconteça uma ‘ilusão de óptica’: os satélites confundem vegetação com solo exposto e afloramentos rochosos.
Avanço: IA ajudou a vencer desafio das imagens de satélite da Caatinga
Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) criaram uma estratégia inovadora para o monitoramento ambiental do semiárido brasileiro.
Ao treinar algoritmos de inteligência artificial (IA) com o cruzamento de imagens de satélite com dados de relevo, temperatura da superfície e estimativas de chuvas, os pesquisadores conseguiram otimizar o mapeamento do bioma.
O estudo, publicado na revista científica Environmental Monitoring and Assessment, foi liderado por Alíbia Deysi Guedes da Silva, quando de seu mestrado pelo Programa de Pós-graduação em Geografia (Geoceres) da UFRN, com a colaboração de colegas da UFRN e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente, Alíbia é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Modelagem em Ciências da Terra e do Ambiente da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).
Os pesquisadores analisaram o bioma Caatinga no Rio Grande do Norte (RN) em 2023, usando a plataforma Google Earth Engine (GEE).
O objetivo central da pesquisa foi mapear o uso e a cobertura da terra. Para isso, os cientistas dividiram a área em seis compartimentos distintos, cruzando bacias hidrográficas com domínios geomorfológicos, que correspondem a grandes unidades do relevo relacionadas à estrutura geológica.
Modelagem matemática avançada permitiu ‘enxergar melhor’ o bioma
O modelo matemático combinou 153 camadas de dados, considerando imagens do satélite Landsat 8, frações de solo, vegetação e água estimadas a partir dessas imagens, índices espectrais, temperatura da superfície e estimativas de precipitação. A acurácia global média do modelo atingiu 83%.
O novo desenvolvimento revelou que cerca de 58% da área do bioma Caatinga no Rio Grande do Norte apresenta cobertura vegetal, o equivalente a quase três milhões de hectares. De acordo com as análises, os usos e as classes associados à influência humana correspondem a mais de 41% do mesmo território, com 1,77 milhão de hectares ocupados por pastagens e 135 mil hectares ocupados por lavouras agrícolas.
Na nova análise, a altitude, a latitude, a longitude e as variáveis climáticas foram importantes. A divisão por domínios geomorfológicos permitiu representar melhor a distribuição de classes como as áreas agrícolas.
Alíbia destacou que as informações mais detalhadas sobre a distribuição da vegetação e dos diferentes usos da terra podem subsidiar ações de planejamento territorial e ambiental, gestão dos recursos naturais e tomadas de decisão em diferentes escalas, além de orientar políticas e ações voltadas ao uso mais adequado e sustentável do território.
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