Cuidados na gravidez
Consumir cafeína durante a gestação ou amamentação pode trazer riscos para o bebê
Estudo com modelos animais mostrou que mesmo um consumo modesto de cafeína pode ter efeitos perigosos para a saúde do bebê em curto ou longo prazo

MilanMarkovic78 via Shutterstock
Consumo de cafeína durante a gravidez pode trazer riscos para o bebê
Por Redação SciAdvances
8 de novembro de 2026, 16:15
Fonte
Áreas
Ciência e Tecnologia de Alimentos, Educação Alimentar, Endocrinologia, Medicina, Neonatologia, Nutrição Clínica, Nutrição Funcional, Pediatria
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A cafeína é um composto químico natural que funciona como um estimulante do sistema nervoso central, mantendo o cérebro em alerta e reduzindo a sensação de fadiga.
A substância é encontrada em diferentes tipos de plantas, como as folhas dos chás mate, preto ou verde; as favas de cacau; e as sementes de guaraná. Mas a maior concentração está nos grãos de café: são até 140 mg de cafeína em uma xícara de 240 ml de café coado, ou até de 90 mg em uma xícara de 50ml de café expresso.
Além disso, a cafeína também está presente na composição de produtos industrializados, como bebidas energéticas, chocolates, refrigerantes e, ainda, na fórmula de antigripais e analgésicos, entre outros medicamentos.
Em modelos animais, estudo mostrou que a cafeína pode trazer riscos para a saúde imediata e futura da prole
Com o apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), têm estudado os efeitos do consumo de cafeína durante o período perinatal (gestação, parto e puerpério) e também durante a lactação.
Segundo os cientistas, o consumo da cafeína pode trazer uma série de riscos à saúde dos filhos.
A partir de análises realizadas em modelos animais, os resultados da pesquisa permitem relacionar o uso da cafeína durante a gravidez à maior possibilidade de as crianças nascerem abaixo do peso e, na vida adulta, apresentarem maior suscetibilidade ao diabetes e a disfunções tiroidianas.
A cafeína na gestação e na lactação
De acordo com a Dra. Luana Lopes de Souza, professora do Instituto de Biologia da UERJ e coordenadora do projeto, a pesquisa teve como primeiro objetivo investigar, em animais, os impactos de uma dose que mimetiza a dose de 250 mg/dia de cafeína no período perinatal de uma mulher – que é inferior à dose considerada segura pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de 300 mg/dia. Um segundo objetivo da pesquisa foi analisar a exposição à cafeína em diferentes períodos: só durante a gestação; só durante a lactação ou durante a gestação e lactação.
O trabalho mostrou que, mesmo a dose equivalente a 250 mg/dia em humanos, consumida pelos camundongos, foi capaz de promover baixo peso ao nascer na prole fêmea, reduzir os hormônios tiroidianos na prole macho e promover disfunção tiroidiana na vida adulta dessas proles.
O estudo também mostrou que a lactação é uma fase crítica de exposição à cafeína, sendo sugerido restringir seu consumo nesse período.
Segundo a Dra. Luana Souza, o estudo reforçou a importância de que não haja a retomada do consumo de fontes de cafeína durante a lactação, já que a mãe vai passar a substância para o bebê através do leite materno, podendo gerar disfunções. A conduta ideal seria suspender o consumo de fontes de cafeína durante o período perinatal e durante a lactação.
De qualquer modo, a Dra. Luana Souza explicou que é preciso diferenciar cafeína do café: o café possui outros componentes que poderiam ser benéficos, como os polifenóis, e que até poderiam mitigar os efeitos da cafeína durante a gestação/lactação, mas ainda não há evidências científicas de que isso ocorra.
Portanto, preventivamente, a professora recomenda evitar o consumo de cafeína, incluindo o café, durante a gestação e a lactação.
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