Com publicação científica
Sal na alimentação
Trocar o tipo de sal na alimentação poderia evitar milhões de mortes por AVC e doenças cardíacas
Pesquisadores avaliaram os benefícios para a saúde da substituição do sal comum por sal enriquecido com potássio

New Africa via Shutterstock
Consumo excessivo de sal de cozinha comum pode trazer muitos problemas de saúde
Por Redação SciAdvances
6 de novembro de 2026, 16:50
Fonte
Áreas
Cardiologia, Engenharia de Alimentos, Epidemiologia, Indústria Alimentícia, Medicina, Nefrologia, Nutrição Clínica, Nutrição Funcional, Patologia
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Sal na alimentação
O sal de cozinha (cloreto de sódio), além de ser um nutriente importante e ter um papel de destaque na culinária, pode também ser um dos principais fatores de risco para doenças crônicas no mundo, principalmente quando consumido em excesso.
Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo de 5g de sal por dia (ou seja, cerca de 2g de sódio), muitas pessoas consomem uma quantidade muito maior do que esse limite.
Neste cenário de consumo excessivo, aumentam os riscos de hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, sobrecarga renal e irritação gástrica, entre outros efeitos.
Por outro lado, o baixo consumo de potássio, que pode levar à hipocalemia (baixa concentração de potássio no sangue), também pode favorecer as condições de hipertensão arterial e sobrecarga renal.
Uma ideia que tem sido abordada por cientistas é a substituição do cloreto de sódio por um sal enriquecido com potássio na alimentação. Assim, para a mesma quantidade de sal, o consumo de sódio diminuiria e o consumo de potássio aumentaria, podendo reduzir a grande quantidade de problemas de saúde pública causados pelo sal.
O sal enriquecido com potássio pode ser obtido pela substituição de parte do cloreto de sódio por cloreto de potássio, mantendo a mesma aparência, sabor e propriedades culinárias do sal convencional.
Avanço: pesquisadores estimaram vários cenários de consumo de sal em 193 países e seus resultados de saúde
Recentemente, pesquisadores avaliaram os benefícios à saúde da substituição do sal de cozinha comum por sal enriquecido com potássio em 193 países. Eles constataram que, globalmente, seria possível evitar quase 3 milhões de mortes e 10 milhões de novos casos de doenças cardiovasculares e renais por ano.
O Dr. Bruce Neal, professor da Universidade de Nova Gales do Sul (UNSW), na Austrália, e coautor sênior do estudo, afirmou que os ganhos para a saúde seriam abrangentes, podendo evitar até uma em cada dez mortes por causas cardiovasculares na maioria dos países.
De acordo com o professor, o consumo excessivo de sódio, em conjunto com a ingestão insuficiente de potássio, são causas bem estabelecidas de hipertensão — um importante fator de risco para condições potencialmente fatais, como acidentes vasculares cerebrais (AVCs), infartos e doenças renais.
O pesquisador reconheceu que a uma mudança global do sal comum para um substituto enriquecido com potássio seria uma meta ambiciosa, mas essa mudança poderia ‘entrar no radar’, já que tem um potencial muito maior e um custo significativamente menor do que muitos tratamentos medicamentosos.
O estudo, publicado na revista científica Nature Health, foi liderado por pesquisadores da UNSW, com a participação de colegas da Universidade Johns Hopkins (JHU), Escola de Medicina da JHU e Escola de Saúde Pública da JHU, nos EUA; Centro Médico da Universidade Erasmus, nos Países Baixos; Universidade Médica Harbin, na China; e da Universidade Griffith, na Austrália.
Substituição do cloreto de sódio pelo sal enriquecido com potássio reduziu significativamente o número de mortes
Os pesquisadores analisaram uma série de cenários hipotéticos, desde uma substituição global de todo o sal até um uso mais direcionado entre pessoas com diagnóstico de hipertensão arterial em tratamento. Mesmo o nível mais restrito de substituição ainda apresentou ganhos significativos para a saúde, com uma redução significativa no número de mortes.
Embora os benefícios potenciais sejam significativos, uma preocupação é o risco de níveis elevados de potássio (hipercalemia) em pessoas com doença renal avançada. O estudo constatou, no entanto, que, mesmo entre pacientes com doença renal avançada, os benefícios superam os riscos, mas há a necessidade de acompanhamento clínico.
O professor Bruce Neal ainda destacou a necessidade de estratégias específicas para cada país, adaptadas de acordo com a origem predominante da ingestão de sódio (preparos domésticos ou produtos industrializados).
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
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