Com publicação científica
Biologia Celular
Lisossomos das células cardíacas ajudam a controlar o ritmo do coração
Estudo avança no conhecimento da influência da sinalização lisossômica sobre o ritmo cardíaco

MD. Munna Islam via Shutterstock
ECG com episódio breve de fibrilação atrial
Por Redação SciAdvances
6 de novembro de 2026, 10:42
Fonte
Áreas
Biologia, Bioquímica, Cardiologia, Engenharia Biológica, Medicina, Medicina de Precisão, Patologia
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Biologia Celular
Na Biologia Celular, os lisossomos são as organelas responsáveis pela digestão intracelular e pela reciclagem e limpeza da célula.
Contendo várias enzimas hidrolíticas, os lisossomos conseguem realizar funções de heterofagia (digestão de materiais externos), autofagia (reciclagem interna), clivagem e reaproveitamento de macromoléculas e também participar da morte celular programada.
Porém, os processos de sinalização que envolvem os lisossomos ainda não são totalmente compreendidos, nem os resultados físicos envolvidos nesses processos.
Ultimamente, cientistas têm avançado neste tema, procurando compreender melhor o papel dos lisossomos sobre a fisiologia do coração e de outros órgãos.
Avanço: estudo descobriu nova via de sinalização lisossômica que influencia o ritmo cardíaco
Uma pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Oxford e da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, descobriu que os lisossomos realizam sinalizações importantes nas células cardíacas, que auxiliam o ritmo natural do coração, inclusive quando a frequência cardíaca aumenta.
A partir de estudos com animais e experimentos envolvendo células cardíacas humanas cultivadas em laboratório e tecido cardíaco humano, os pesquisadores conseguiram investigar como a sinalização lisossômica contribui para a função cardíaca, tanto em tecidos saudáveis quanto em tecidos doentes.
A descoberta, publicada na revista científica Cardiovascular Research, traz novos conhecimentos sobre os processos biológicos envolvidos na regulação do ritmo cardíaco e pode orientar novas pesquisas sobre distúrbios do ritmo do coração, como a fibrilação atrial.
Resultados podem motivar novas pesquisas e tratamentos para a arritmias cardíacas
Os pesquisadores descobriram que os lisossomos se comunicam por meio de uma via de sinalização que envolve o AMP cíclico (cAMP), que é uma das principais moléculas mensageiras responsáveis por acelerar a frequência cardíaca. Esta via de sinalização ainda não era conhecida.
Além disso, os cientistas também observaram que essa via possui componentes que podem ficar alterados em casos de fibrilação atrial.
A Dra. Rebecca-Ann Burton, professora do Departamento de Farmacologia e Terapêutica da Universidade de Liverpool e coautora sênior do estudo, explicou que o estudo é pioneiro ao mostrar que a sinalização de cálcio lisossômica pode desencadear a produção de cAMP nas células cardíacas, além de mostrar o papel específico dessa via no funcionamento do ritmo cardíaco.
A equipe de pesquisa, que contou com a participação de 42 cientistas de várias instituições, também conseguiu identificar duas proteínas – CaMKII e AC1 – como prováveis componentes dessa via de sinalização.
Fibrilação atrial
Ao estudarem casos de fibrilação atrial em modelos animais e amostras de tecido humano, os pesquisadores encontraram alterações importantes nos lisossomos e em sua sinalização. Esse achado pode abrir uma nova possibilidade de tratamento para essa condição comum de arritmia cardíaca.
Segundo os cientistas, os achados sugerem que a fibrilação atrial está associada a um remodelamento estrutural nas células do músculo cardíaco atrial, incluindo mudanças nos domínios de sinalização intracelular e na organização das organelas.
Porém, mais pesquisas são necessárias para compreender melhor como essas alterações contribuem para o surgimento ou a progressão da fibrilação atrial.
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