Saúde de crianças pequenas
Crianças pequenas também precisam se movimentar
No Canadá, pesquisadores publicam relatório sobre o estilo de vida de crianças de 0 a 4 anos

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Família tem papel importante na prática de atividades físicas das crianças
Por Redação SciAdvances
7 de novembro de 2026, 14:45
Fonte
Áreas
Ciências Sociais, Educação Física, Inclusão Social, Pediatria, Saúde da Criança, Sono
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Recentemente, a ParticipACTION – uma organização sem fins lucrativos do Canadá com foco na promoção da saúde, condicionamento físico e prática regular de atividades físicas – divulgou um relatório completo sobre a saúde e o estilo de vida de crianças de zero a quatro anos.
Com a participação de uma equipe de especialistas do Canadá e de outros países, o documento definiu 14 indicadores para avaliar os hábitos das crianças bem pequenas.
Os indicadores abrangem não apenas a atividade física, mas também o sono, o tempo de exposição a telas, o comportamento sedentário, as brincadeiras, bem como ambiente social em que vivem.
O documento aborda vários fatores relacionados ao desenvolvimento das crianças pequenas, como hábitos familiares, práticas de cuidado infantil, planejamento de espaços públicos e políticas que impactam o cotidiano das crianças.
Resultados destacam bons resultados e também desafios
A Dra. Marie-Eve Mathieu, professora da Escola de Cinesiologia e Ciências da Atividade Física da Universidade de Montreal e integrante do comitê de pesquisa responsável pelo relatório, destacou alguns bons resultados mas também algumas preocupações.
Em relação ao sono e ao desenvolvimento motor, 80% das crianças pequenas atingiram as recomendações. Para 67% das crianças até 4 anos, o nível de atividade física também foi suficiente.
Por outro lado, o tempo em frente às telas é motivo de preocupação: quase metade das crianças passa mais tempo frente às telas do que o recomendado. Segundo a professora, para crianças de dois, três e quatro anos, o tempo de telas deve ser limitado a uma hora por dia e, em todos os casos, quanto menos, melhor.
O relatório também destacou a importância da movimentação ativa: sempre que possível e adequado à idade da criança, andar a pé é importante; entre um e dois anos de idade, as crianças devem realizar atividades físicas de intensidades variadas por, pelo menos, 180 minutos ao longo do dia; entre três e quatro anos, incluir nesse mesmo tempo mínimo pelo menos 60 minutos de brincadeiras que exijam maior gasto de energia.
De acordo com a professora, a ideia não é transformar o cotidiano da criança em um treino, afinal atividades simples como correr, dançar, escalar, engatinhar e brincar ao ar livre podem ser o suficiente para incluir o movimento na rotina das crianças.
Desigualdade social ainda é um importante fator limitante
Mesmo no Canadá, um país onde a desigualdade social não é tão proeminente como no Brasil, o relatório destaca que nem todas as crianças têm as mesmas oportunidades para se movimentar e brincar.
Crianças provenientes de famílias com menor renda têm menos probabilidade de participar de atividades físicas estruturadas (31% contra 52% entre as famílias de maior renda) e de ter acesso a instalações recreativas, parquinhos, parques e áreas verdes (79% contra 92%).
Apoio da família, mas não só
Os pais desempenham um papel fundamental na rotina diária das crianças, mas não são os únicos que podem estar envolvidos: o relatório destacou o papel de creches, municípios e governos como elementos-chave para o desenvolvimento das crianças pequenas.
O acesso a parques, espaços seguros para caminhar e brincar, além de instalações adaptadas para crianças pequenas, também favorece a adoção de hábitos saudáveis.
Com responsabilidade e planejamento, ações simples de todos os atores sociais envolvidos podem contribuir com a melhora da saúde atual e futura das crianças pequenas.
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Acesse a página do relatório ‘2026 ParticipACTION Report Card on Physical Activity for the Early Years‘ (em inglês).
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