Com publicação científica
Amígdalas cerebrais e emoções
Como o cérebro trata a ambiguidade emocional?
Estimulação transcraniana por ultrassom revelou como as amígdalas cerebrais interpretam emoções incertas

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Amígdala cerebral
Por Redação SciAdvances
7 de abril de 2026, 18:11
Fonte
Áreas
Física Médica, Imagens Médicas, Medicina, Neurociências, Neurologia, Processamento de Imagens, Psicologia, Psiquiatria, Saúde Mental
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Amígdalas cerebrais e emoções
As amígdalas cerebrais, localizadas na região profunda do lobo temporal medial do cérebro, uma em cada hemisfério, são consideradas o centro de processamento emocional cerebral.
Por estarem localizadas em região profunda, de difícil acesso, as amigdalas cerebrais têm sido pouco estudadas em relação aos efeitos sobre respostas emocionais ou sobre transtornos de humor, como em casos de depressão e ansiedade.
Avanço: estimulação transcraniana por ultrassom e técnicas de imagem permitem acessar reações no cérebro profundo
Cientistas da Universidade de Oxford, da University College London e da Universidade de Plymouth no Reino Unido, demonstraram, de maneira inédita, que estímulos nas amígdalas cerebrais influenciam diretamente a forma como sinais sociais ambíguos são interpretados.
No estudo, publicado na revista científica Neuron, os pesquisadores usaram uma nova técnica de neuroestimulação não invasiva chamada estimulação transcraniana por ultrassom focalizado de baixa intensidade para alterar – de forma temporária, segura, precisa e não invasiva – a atividade das amígdalas cerebrais em voluntários saudáveis.
Após receberem a breve estimulação por ultrassom, os participantes realizaram uma tarefa comportamental envolvendo expressões faciais emocionais e tomada de decisões.
Então, exames cerebrais de ressonância magnética de alta resolução foram utilizados para confirmar que a estimulação teve os efeitos biológicos desejados.
Os pesquisadores mensuraram as mudanças provocadas pela estimulação com ultrassom de diversas maneiras: demonstraram alterações em importantes metabólitos cerebrais e na conectividade funcional da região, que indica como essa região se comunica com outras partes do cérebro.
Finalmente, os cientistas analisaram mudanças na forma como as pessoas percebiam expressões emocionais ambíguas quando expostas a imagens variadas de rostos.
Expressões emocionalmente ambíguas provocaram respostas diferentes
Os cientistas descobriram que a intervenção com ultrassom alterou a forma como as pessoas respondiam a expressões faciais, principalmente quando essas expressões eram emocionalmente ambíguas.
As descobertas forneceram evidências causais inéditas em humanos sobre como o cérebro processa a incerteza em situações emocionais, com potenciais implicações para a compreensão de transtornos mentais.
As imagens cerebrais mostraram que a estimulação das amígdalas cerebrais reduziu a comunicação com outras regiões do cérebro e alterou de maneira importante seu equilíbrio químico interno.
A Dra. Miriam Klein-Flügge, professora do Departamento de Psicologia Experimental e do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Oxford e também autora sênior do estudo, destacou a importância da pesquisa pelo fato que a região das amígdalas cerebrais é uma região central e profunda no cérebro que fica alterada em transtornos de humor, incluindo depressão e ansiedade.
A pesquisadora ressaltou que, apesar do estudo ter sido realizado em voluntários saudáveis, uma continuidade natural da pesquisa é verificar se o metabolismo anormal das amígdalas cerebrais pode ser restaurado em pacientes com transtornos de humor.
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