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Após um infarto, a fibrose do miocárdio pode levar à insuficiência cardíaca
Por Redação SciAdvances
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A insuficiência cardíaca frequentemente se desenvolve após um infarto, devido à formação excessiva de tecido cicatricial à base de colágeno durante o processo de reparo da lesão.
Embora o colágeno seja necessário para a cicatrização, lesões e inflamações crônicas podem aumentar exageradamente sua produção, o que leva ao processo de fibrose: o músculo cardíaco torna-se mais rígido e diminui sua capacidade de bombeamento.
Estima-se que as condições associadas à fibrose contribuam para até 45% de todas as mortes em países de alta renda; no entanto, não existe nenhuma terapia definitiva aprovada capaz de interromper completamente ou remover a fibrose tecidual depois de instalada.
Pesquisadores da Universidade Kyushu, Universidade Nagoya e da Universidade Tokushima, no Japão, descobriram que a enzima BCAT1- uma enzima essencial que atua no catabolismo de aminoácidos – desempenha um papel fundamental na fibrose cardíaca pós-infarto.
Em testes com camundongos, o bloqueio da enzima BCAT1 reduziu a fibrose e preservou a função cardíaca, mesmo após o início da lesão tecidual. O estudo, publicado na revista científica Journal of Clinical Investigation, mostrou que a enzima pode ser um alvo terapêutico promissor.
Como é o excesso de colágeno que leva à fibrose e até 20% do colágeno é composto pelo aminoácido prolina, os pesquisadores investigaram como células especializadas chamadas miofibroblastos produzem e fornecem a prolina.
Os cientistas observaram que os níveis da enzima BCAT1 aumentaram nas células produtoras de colágeno após o infarto em camundongos do grupo controle. Praticamente indetectável em corações saudáveis, os pesquisadores perceberam que a enzima BCAT1 passou a ser altamente expressa nos miofibroblastos à medida que a fibrose avançava.
Os testes mostraram que a BCAT1 ativa uma via celular que mantém o suprimento de prolina, sustentando a produção aumentada de colágeno.
Já em camundongos geneticamente modificados para não apresentarem a BCAT1, houve uma produção menor de enzimas relacionadas à prolina e de colágeno, o que levou ao desenvolvimento de menos tecido cicatricial, mantendo uma função cardíaca superior à dos camundongos do grupo controle.
Complementarmente, a análise de amostras de tecido cardíaco humano proveniente de pacientes com insuficiência cardíaca identificou níveis elevados de BCAT1 associados a um aumento da fibrose, o que sugere a existência de um mecanismo semelhante em seres humanos.
Como terapia com foco na enzima BCAT1, os cientistas testaram os efeitos de um inibidor da enzima BCAT1 (chamado ERG240) em camundongos após um infarto. A administração do inibidor reduziu a formação de cicatrizes e preservou a função cardíaca, mesmo quando o tratamento foi iniciado sete dias após a lesão.
Agora, os pesquisadores pretendem determinar se a via BCAT1-prolina também impulsiona a fibrose no fígado e em outros órgãos, além de desenvolver e testar terapias voltadas para a BCAT1 em futuros estudos clínicos.
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