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Vacina contra o HPV
Por Redação SciAdvances
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O HPV (papilomavírus humano) é a principal causa do câncer de colo do útero. Apesar da disponibilidade de vacinas contra o HPV (no Brasil, a vacina é oferecida gratuitamente no SUS), a doença continua avançando, comprometendo a qualidade de vida e aumentando o risco de morte.
Apesar de sua importância para a saúde, estima-se que a cobertura global da vacina contra o HPV seja apenas pouco superior a 30%, um cenário que torna bem difícil a eliminação do câncer de colo do útero.
Mas a vacina não é apenas um recurso importante contra o câncer. A falta de vacinação contra o HPV ainda pode levar a outros desfechos indesejados de saúde: a infecção pelo vírus e o tratamento de alterações nas células cervicais também têm sido associados a um risco aumentado de algumas complicações na gestação.
Pesquisadores constataram que mulheres vacinadas contra o HPV apresentaram menor probabilidade de sofrer diversas complicações durante a gravidez e o parto, especialmente o parto prematuro.
O estudo de caso-controle pareado, de base populacional e abrangência nacional na Suécia foi liderado por pesquisadores do Instituto Karolinska e publicado na revista científica The BMJ.
Foi investigada a relação entre a vacina contra o HPV e complicações como parto prematuro, ruptura prematura das membranas, bebês pequenos para a idade gestacional, natimortalidade e mortalidade neonatal.
Os cientistas analisaram dados de registros suecos abrangendo 624.713 gestantes que foram mães pela primeira vez, com idades entre 16 e 35 anos, no período de 2006 a 2023. Nessa amostra, 92.620 mulheres haviam recebido a vacina quadrivalente contra o HPV antes de engravidar, um imunizante que oferece proteção contra quatro tipos comuns do vírus.
Mulheres vacinadas antes da gestação apresentaram um risco menor das complicações estudadas, com destaque para o parto prematuro. Em comparação com mulheres não vacinadas, as mulheres que receberam a vacina tiveram uma probabilidade cerca de 5% menor de ter um parto prematuro e cerca de 15% menor de ter um parto muito prematuro.
Zhongsong Zhang, doutorando no Instituto Karolinska e primeiro autor do estudo, destacou que a relação entre vacinação e complicações no parto foi ainda mais forte entre mulheres que foram vacinadas antes dos 17 anos de idade.
Apesar da associação clara entre a vacina contra o HPV e o menor risco de complicações durante a gravidez e no parto, o estudo foi apenas observacional, o que não permite garantir que foi a vacina que reduziu as complicações, ou seja, ainda não se pode demonstrar uma relação de causa e efeito.
Apesar disso, a Dra. Jiayao Lei, professora de Epidemiologia do Instituto Karolinska e coautora sênior do estudo, ressaltou que os resultados sugerem que os benefícios da vacinação contra o HPV podem ir além da prevenção do câncer, incluindo a redução de complicações que podem surgir durante a gravidez e o parto.
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