Com publicação científica

NIAID/NIH via Wikimedia Commons
Micrografia eletrônica de varredura, colorizada, de célula 'natural killer' de um doador humano
Por Redação SciAdvances
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Uma ‘reprogramação’ já conhecida de células T do sistema imune pode ser feita através da tecnologia CAR-T, que inclui o receptor de antígeno quimérico (CAR).
A técnica CAR-T tem sido um dos principais avanços da oncologia nos últimos anos, principalmente no tratamento de cânceres de sangue, como leucemia, linfoma e mieloma múltiplo.
Mas o uso da tecnologia CAR-T para o tratamento de células T disfuncionais não tem obtido sucesso, pois a modificação de células T para atacar proteínas das próprias células T podem acabar matando umas às outras.
Neste caso, uma alternativa seria a incorporação da técnica CAR a outras células do sistema imunológico, como as células NK (‘natural killer’) – formando as chamadas células CAR-NK – , que então poderiam ser candidatas ao tratamento de neoplasias das células T.
Atualmente, não existem terapias com células CAR-NK aprovadas, mas várias equipes de pesquisa trabalham no desenvolvimento dessas terapias para tratar câncer ou doenças autoimunes.
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, desenvolveram uma técnica para reprogramar as células NK (‘natural killer’) do sistema imunológico no próprio corpo do paciente, fazendo com que ataquem células T disfuncionais, que podem levar ao linfoma e à hepatite autoimune, dentre outras doenças.
Os cientistas realizaram a reprogramação das células NK com a ajuda de nanopartículas lipídicas, que conseguem entregar RNA mensageiro (mRNA) diretamente às células NK, tornando-as células CAR-NK.
Nessas células reprogramadas, o mRNA codifica proteínas que permitem a localização e a destruição das células T disfuncionais.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Biotechnology.
As nanopartículas lipídicas (LNPs) projetadas pelos cientistas do MIT são capazes de transportar uma carga de mRNA, que codifica um CAR que pode ser direcionado a tipos celulares específicos.
Essas nanopartículas são revestidas com fragmentos de anticorpos que se ligam a receptores presentes na superfície das células NK, garantindo que elas se liguem aos alvos corretos.
Em testes com camundongos, a reprogramação de células CAR-NK alvo conseguiu cerca de 80% de sucesso.
Cinco animais com uma forma agressiva de melanoma receberam as LNPs que reprogramaram suas células NK para atacar as células cancerígenas. Destes, três animais entraram em remissão completa da doença.
Os pesquisadores também observaram uma destruição significativa do tumor ao utilizar as LNPs para tratar linfoma de células T em um modelo de camundongo que recebeu transfusões de células sanguíneas humanas – o que tornou os animais ‘humanizados’, ou seja, com um sistema imune temporariamente semelhante ao humano. Os tumores foram erradicados após cinco injeções das LNPs de reprogramação.
Ainda, em camundongos com hepatite autoimune tratados com a tecnologia, as células T autorreativas foram destruídas e as lesões hepáticas cicatrizaram. Tais efeitos foram observados depois de apenas uma injeção das LNPs.
Segundo o Dr. Robert Langer, cientista do MIT que foi um dos criadores da tecnologia de nanopartículas aplicadas à biotecnologia e também é coautor do estudo, este é um excelente exemplo do potencial dos sistemas de nanotransporte e de sua capacidade de tratar, futuramente, o câncer e outras doenças.
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