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Cultura de cana de açúcar ao lado de rio
Por Redação SciAdvances
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Apesar da grande quantidade de recursos hídricos no Brasil, especialmente aqueles relacionados à água doce, muitos dos cursos d’água – como rios e córregos – podem ter comprometida a qualidade da água devido à poluição originada por várias fontes, como a agropecuária.
Essa perda de qualidade da água pode comprometer o abastecimento humano, a produção agrícola, a indústria e a conservação dos ecossistemas aquáticos.
As fontes poluentes que minam a qualidade da água são chamadas pontuais quando os poluentes são despejados de forma concentrada, localizada e identificável em um ponto específico do curso d’água. Já nas fontes difusas, os poluentes vêm de múltiplas origens, sem uma fonte única, geralmente carregados pela água da chuva ou pelo escoamento superficial.
No Brasil, a preocupação com o monitoramento da qualidade da água tem se limitado historicamente às áreas urbanas, principalmente em relação aos esgotos. Mas ampliar esse monitoramento para as áreas rurais é fundamental para garantir a segurança hídrica e preservar os ecossistemas aquáticos.
Um estudo realizado recentemente por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente e da Embrapa Solos mapeou e classificou os municípios brasileiros mais suscetíveis à poluição difusa proveniente de atividades agropecuárias.
O objetivo foi identificar as áreas rurais mais suscetíveis à poluição e que precisam de maior monitoramento da qualidade da água, considerando também a vulnerabilidade de fontes hídricas em relação às mudanças climáticas.
O estudo, liderado pela Dra. Rachel Prado, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, e publicado como Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento pela Embrapa Solos, compilou indicadores relacionados às principais fontes de poluição difusa da agropecuária, com ênfase na contaminação por nitrogênio e fósforo.
Foram considerados cinco indicadores de fontes de poluição difusa da agropecuária: entrega de fertilizantes por cultura (nitrogênio, potássio e fósforo), número de cabeças animais, área com fertirrigação da cana-de-açúcar, balanço hídrico quantitativo por microbacias e erodibilidade do solo à erosão hídrica.
Os resultados mostraram que as áreas mais críticas de exposição à poluição difusa da agropecuária se concentram principalmente em municípios dos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, além da região conhecida como Matopiba, a principal fronteira agrícola em expansão no País e que abrange partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Mas também foram identificados alguns municípios dos estados do Paraná e de São Paulo com elevada prioridade para ações de monitoramento.
De acordo com a análise dos pesquisadores, essas regiões mais susceptíveis apresentam combinação de intensa atividade agropecuária, elevado uso de insumos agrícolas e condições ambientais que favorecem o transporte de nutrientes e sedimentos para os cursos d’água, cenário que pode ser agravado por eventos climáticos extremos.
Com a ocorrência de chuvas intensas, o transporte de fertilizantes – e de seus macronutrientes, como nitrogênio e fósforo – para os corpos d’água compromete drasticamente a qualidade dos recursos hídricos, especialmente em bacias com solo exposto, manejo inadequado e processos erosivos acelerados.
Pensando na mitigação dos efeitos dessa poluição difusa, os pesquisadores destacaram a importância de técnicas de conservação do solo, uso e manejo adequado de fertilizantes e manutenção de áreas com vegetação nativa em zonas ripárias.
A expectativa da equipe de pesquisa é que o mapeamento apresentado pelo estudo possa orientar políticas públicas de controle de fontes difusas de poluição.
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