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PFAS já estão presentes também nos alimentos
Por Redação SciAdvances
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As substâncias per- e polifluoroalquiladas (PFAS) compõem uma vasta família de produtos químicos utilizados principalmente por suas propriedades antiaderentes, repelentes à água e resistentes à gordura. São chamadas de ‘produtos químicos eternos’ justamente por sua alta resistência à degradação, permanecendo por muito tempo no meio ambiente.
A presença das substâncias PFAS na água potável já está amplamente documentada, mas sua presença em alimentos também já vem sendo estudada. Em toda a cadeia alimentar, entre animais carnívoros, herbívoros ou mesmo em vegetais, as substâncias PFAS vão se bioacumulando. Então, quando os seres humanos se alimentam, podem estar sujeitos às mais altas concentrações, que foram se acumulando ao longo da cadeia alimentar.
Novos estudos científicos têm avançado na compreensão sobre a exposição a substâncias PFAS a partir da alimentação e também em que medida essas substâncias já estão presentes no corpo humano.
O Dr. Sébastien Sauvé, professor do Departamento de Química da Universidade de Montreal, no Canadá, liderou um estudo que mostrou que, além de estarem presentes na água potável, as substâncias PFAS também já estão presentes nos alimentos.
Após analisarem alimentos vendidos em supermercados de Quebec em busca de 76 compostos PFAS diferentes, foram encontradas PFAS em muitas categorias de alimentos – principalmente em alimentos ricos em proteína animal -, em muitos casos em concentrações suficientemente elevadas para contribuir para a exposição diária tanto quanto a água potável.
Entre as 76 substâncias analisadas no estudo, foram principalmente as PFAS de cadeia longa que apareceram nos alimentos. Estas substâncias tendem a permanecer mais tempo no organismo, enquanto as PFAS de cadeia curta são eliminadas mais rapidamente.
O estudo pretende servir como alerta, mostrando que os alimentos também podem ser uma fonte significativa de exposição às PFAS e que ainda há muito trabalho a ser feito para mensurar essa contaminação, compreender suas origens e identificar quais alimentos são mais problemáticos.
Em média, os níveis de PFAS identificados foram de aproximadamente 1,9 ng/g (nanogramas por grama) em peixes, 1,3 ng/g em frutos do mar e 1,2 ng/g em carnes. Produtos lácteos e de origem vegetal apresentaram, de modo geral, concentrações mais baixas, de até 0,75 ng/g. Peixes e frutos do mar, em particular, apresentaram tanto as maiores concentrações quanto a maior variedade de PFAS detectadas no estudo.
Porém, maior concentração não significa necessariamente maior exposição, já que a exposição depende da quantidade de alimento consumida. Então, para estimar a exposição, a equipe levou em conta as quantidades de alimentos tipicamente consumidas. E os grãos surgiram como fonte importante de exposição.
Embora os grãos não estejam entre os alimentos mais contaminados, eles são consumidos em grandes quantidades — na forma de pão, massas e outros produtos à base de grãos. Como resultado, mesmo concentrações relativamente baixas de PFAS podem contribuir significativamente para a exposição total.
De qualquer modo, os pesquisadores identificaram que a ingestão total estimada de PFAS foi menor entre as pessoas que consomem menos produtos de origem animal.
Como o estudo é preliminar, ainda não é possível elaborar uma lista de alimentos a serem evitados, já que existe uma variação significativa entre as amostras.
Agora, a equipe de pesquisa liderada pelo professor Sébastien Sauvé está analisando mais de 500 amostras para determinar com maior precisão quais alimentos apresentam as concentrações mais elevadas e, futuramente, quais fatores explicam essa situação.
Por enquanto, a mensagem dos cientistas para os consumidores não é sobre eliminar peixes, carnes ou grãos da dieta, mas simplesmente reconhecer que a água não é a única fonte de exposição às PFAS.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
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Últimos avanços

Grupo de pesquisa do Dr. George Tofaris, Universidade de Oxford
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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