Com publicação científica

Grupo de pesquisa do Dr. George Tofaris, Universidade de Oxford
Reconstrução 3D de imagem de super-resolução de micróglia cocultivada com neurônios dopaminérgicos
Por Redação SciAdvances
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A doença de Parkinson, que afeta mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo, é caracterizada pela perda progressiva de neurônios produtores de dopamina e pelo acúmulo de aglomerados anormais da proteína alfa-sinucleína no interior das células nervosas.
Identificar novas formas potenciais de prevenir ou eliminar esses aglomerados poderia viabilizar novos tratamentos para retardar ou interromper a progressão da doença de Parkinson.
Por outro lado, a proteção do cérebro está a cargo da micróglia. Composta pelas células imunes residentes do cérebro, é ela que atua como a primeira linha de defesa e ajuda a manter a saúde cerebral. Essas células respondem a danos, removem detritos celulares e auxiliam na formação de conexões entre neurônios.
Novos estudos têm buscado descobrir os mecanismos de defesa da micróglia que podem ficar ativos e ajudar a proteger o cérebro contra a doença de Parkinson.
Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, descobriram um papel protetor da micróglia na doença de Parkinson que ainda não era conhecido.
O estudo, publicado na revista científica Science Translational Medicine, mostrou que uma população específica da micróglia humana consegue remover aglomerados nocivos da alfa-sinucleína de neurônios produtores de dopamina.
A partir de modelos baseados em células-tronco humanas (derivadas de células-tronco pluripotentes induzidas, ou iPSCs), os pesquisadores conseguiram estudar conjuntamente neurônios humanos produtores de dopamina e células da micróglia.
Então, a equipe analisou a resposta da micróglia à formação de agregados de alfa-sinucleína no interior dos neurônios e descobriram que ela é capaz de reduzir os agregados nocivos de alfa-sinucleína associados à doença de Parkinson.
Os cientistas observaram que a micróglia consegue remover seletivamente pequenas porções de um neurônio por trogocitose, um processo biológico através do qual uma célula ‘arranca’ pequenos pedaços da membrana plasmática de outra célula com a qual fez contato. Com isso, a micróglia consegue remover material nocivo, ao mesmo tempo que preserva a estrutura e a função do neurônio.
Utilizando o sequenciamento de RNA de célula única, que permite examinar os perfis gênicos de células individuais, os pesquisadores identificaram uma subpopulação de micróglia ativada associada a essa eliminação dos aglomerados nocivos da alfa-sinucleína.
Os cientistas também descobriram que a proteína GPNMB (glycoprotein non-metastatic melanoma protein B) pode desempenhar um papel ativo nesse mecanismo de proteção, aumentando sua interação com a alfa-sinucleína patológica no interior da micróglia quando exposta a neurônios contendo esses agregados nocivos.
Segundo o Dr. George Tofaris, professor da Universidade de Oxford e autor sênior do estudo, compreender como potencializar e monitorar essas funções microgliais benéficas, sem desencadear uma inflamação prejudicial, pode abrir novos caminhos para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra a doença de Parkinson.
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