Com publicação científica

Retinose pigmentar avançada
Com nova terapia, pessoas cegas conseguem detectar objetos simples
Terapia gênica e óculos especiais podem melhorar informações visuais simples em pessoas com doença hereditária da retina

Rawpixel.com via Shutterstock

Por Redação SciAdvances

10 de outubro de 2026, 14:35

Fonte

Áreas

Epidemiologia, Medicina, Oftalmologia, Terapia Genética

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Retinose pigmentar avançada

A retinose pigmentar refere-se a um conjunto de doenças oftalmológicas hereditárias, que causam a degeneração da retina.

A doença traz visão tubular (redução extrema do campo visual periférico, com comprometimento da visão central) e pode estar associada a diversas complicações.

A condição, em seu estágio avançado, causa perda severa e progressiva da função visual, decorrente da degeneração avançada de fotorreceptores e alterações estruturais marcantes no fundo de olho.

Neste caso, a limitação visual pode impedir inclusive a identificação de objetos simples, mesmo antes da cegueira total.

Avanço: terapia optogenética e óculos especiais podem melhorar a percepção visual

Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Dr. José-Alain Sahel, professor da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, e pelo Dr. Botond Roska, professor da Universidade de Basileia, na Suíça, testou uma nova terapia que pretende melhorar a visão de pacientes com retinose pigmentar avançada.

Em um estudo publicado na revista científica New England Journal of Medicine, os pesquisadores testaram a nova terapia – que integra terapia gênica e o uso de óculos especiais – em um grupo de dez pacientes.

A proposta é que a terapia gênica possa modificar certas células nervosas da retina que permanecem intactas apesar da doença: as células ganglionares da retina. Apesar de não serem sensíveis à luz, essas células transmitem sinais das células fotorreceptoras da retina para o nervo óptico e são a base da chamada optogenética, um avanço premiado com o Nobel de Medicina em 2026.

Segundo os pesquisadores, ao transformar as células ganglionares remanescentes em novos sensores de luz, a terapia optogenética pode ter uma ampla aplicação, visto não ter como alvo um defeito genético específico – o que exigiria um tratamento personalizado.

Já os óculos utilizados no tratamento usam uma câmera que contribui para captar o ambiente e converter alterações na cena visual em sinais luminosos que ativam as células ganglionares modificadas.

Resultados são modestos mas motivam continuidade da pesquisa

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Autores/Pesquisadores Citados

Professor da Universidade de Pittsburgh
Professor da Universidade de Basileia

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