Com publicação científica

Rawpixel.com via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A retinose pigmentar refere-se a um conjunto de doenças oftalmológicas hereditárias, que causam a degeneração da retina.
A doença traz visão tubular (redução extrema do campo visual periférico, com comprometimento da visão central) e pode estar associada a diversas complicações.
A condição, em seu estágio avançado, causa perda severa e progressiva da função visual, decorrente da degeneração avançada de fotorreceptores e alterações estruturais marcantes no fundo de olho.
Neste caso, a limitação visual pode impedir inclusive a identificação de objetos simples, mesmo antes da cegueira total.
Uma equipe internacional de pesquisadores liderada pelo Dr. José-Alain Sahel, professor da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos EUA, e pelo Dr. Botond Roska, professor da Universidade de Basileia, na Suíça, testou uma nova terapia que pretende melhorar a visão de pacientes com retinose pigmentar avançada.
Em um estudo publicado na revista científica New England Journal of Medicine, os pesquisadores testaram a nova terapia – que integra terapia gênica e o uso de óculos especiais – em um grupo de dez pacientes.
A proposta é que a terapia gênica possa modificar certas células nervosas da retina que permanecem intactas apesar da doença: as células ganglionares da retina. Apesar de não serem sensíveis à luz, essas células transmitem sinais das células fotorreceptoras da retina para o nervo óptico e são a base da chamada optogenética, um avanço premiado com o Nobel de Medicina em 2026.
Segundo os pesquisadores, ao transformar as células ganglionares remanescentes em novos sensores de luz, a terapia optogenética pode ter uma ampla aplicação, visto não ter como alvo um defeito genético específico – o que exigiria um tratamento personalizado.
Já os óculos utilizados no tratamento usam uma câmera que contribui para captar o ambiente e converter alterações na cena visual em sinais luminosos que ativam as células ganglionares modificadas.
Os testes permitiram avaliar os resultados da terapia gênica, com foco na segurança do paciente. Eventos adversos oculares relatados foram de intensidade leve ou moderada, com apenas um evento grave, que foi totalmente revertido rapidamente.
Com o uso dos óculos especiais, o olho tratado tornou-se mais sensível à luz em sete dos dez participantes após a terapia gênica. Em seis participantes do estudo, a melhora atingiu o limiar predefinido para uma alteração clinicamente significativa.
Oito participantes também realizaram uma série de testes nos quais precisavam, por exemplo, detectar objetos ou determinar sua localização. Apesar da variação de resultados, quatro participantes apresentaram melhorias consistentes em vários testes.
De qualquer modo, foi considerado importante se ‘acostumar’ com a terapia: os participantes que realizaram mais treinamento com os óculos tenderam a apresentar melhor desempenho nos testes.
Apesar de melhorias modestas – o tratamento não restaurou a visão de alta resolução – os participantes conseguiram detectar, distinguir ou localizar alguns objetos, o que foi considerado um avanço importante.
Agora, os cientistas pretendem aperfeiçoar a abordagem para fornecer informações visuais mais detalhadas, que possam ser utilizadas de forma mais eficaz no dia a dia.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Últimos avanços

Grupo de pesquisa do Dr. George Tofaris, Universidade de Oxford

guentermanaus via Shutterstock

Alexandree via Shutterstock
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Universidade de Bergen




