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Enxaqueca pode ser incapacitante e limita a qualidade de vida
Por Redação SciAdvances
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A enxaqueca é uma doença neurológica crônica, complexa e incapacitante caracterizada por crises recorrentes de dor de cabeça de intensidade moderada a intensa, geralmente pulsátil e muitas vezes unilateral.
Dentre as pessoas que sofrem com enxaqueca, estima-se que cerca de 15% manifestem a enxaqueca com aura, uma condição neurológica temporária que pode causar distúrbios visuais, perda de visão, alterações sensoriais, problemas de equilíbrio e dificuldades na fala e na linguagem, entre outros sintomas.
Para alguns pacientes, a aura é o sintoma mais debilitante da doença mas, atualmente, não existe um tratamento estabelecido que possa tratar especificamente essa condição.
Um novo estudo observacional e retrospectivo, publicado na revista científica Frontiers in Neurology e liderado por pesquisadores da Universidade Lund, na Suécia, constatou que 85% dos pacientes com enxaqueca com aura apresentaram uma redução nos dias com essa condição após um novo tratamento experimental.
No caso, os cientistas testaram o medicamento antiepiléptico lamotrigina, um fármaco aprovado para o tratamento de epilepsia e transtorno bipolar, mas ainda não aprovado para enxaqueca.
A lamotrigina afeta a atividade elétrica das células nervosas ao atuar nos canais de sódio e potássio e também reduz a liberação do neurotransmissor glutamato, entre outras substâncias. Dessa forma, o medicamento pode reduzir a excitabilidade excessiva das células nervosas.
O Dr. Gürdal Sahin, pesquisador da Universidade Lund e coautor sênior do estudo, explicou que, apesar de existirem atualmente vários tratamentos eficazes para a enxaqueca, não existe um tratamento que vise especificamente a aura. Então, as enxaquecas com e sem aura são frequentemente tratadas de maneira semelhante, apesar dos mecanismos serem aparentemente diferentes.
Em busca de um potencial tratamento para a enxaqueca com aura, os cientistas examinaram e trataram com lamotrigina 81 pacientes que apresentavam a condição de modo frequente ou intenso.
Sena Uzun, doutoranda na Universidade Lund e primeira autora do estudo, destacou que, nos pacientes analisados, o número de dias com aura caiu, em média, de 6,9 para 1,4 dias por mês, representando uma redução de cerca de 80%, e 85% dos pacientes apresentaram uma redução de pelo menos 50% no número de dias por mês com aura.
Agora, os cientistas estão conduzindo um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo para analisar a efetividade e a segurança da lamotrigina sobre a enxaqueca com aura.
Segundo a doutoranda, se os resultados forem confirmados, o medicamento poderá se tornar uma opção de tratamento bem estabelecida e com custo relativamente baixo para um grupo de pacientes que, atualmente, não dispõe de tratamento para a aura em si.
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