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Por Redação SciAdvances
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As previsões meteorológicas consideram diversos tipos de dados, incluindo temperatura, umidade, direção e velocidade do vento. Nos últimos anos, pesquisas têm sido desenvolvidas no sentido de agregar mais um tipo de dado aos modelos meteorológicos: os isótopos da água.
Isótopos são formas alternativas de elementos químicos nas quais o número de nêutrons difere daquele encontrado na sua forma mais comum. Isso significa que alguns isótopos são mais pesados do que suas contrapartes abundantes; no caso da água, isso resulta em moléculas chamadas de ‘isotopicamente pesadas’.
A ciência já sabe que a água existe na atmosfera em formas contendo um isótopo pesado de hidrogênio ou um isótopo pesado de oxigênio. Sabe-se também que a maneira como essas moléculas evaporam e condensam é ligeiramente diferente dos processos que acontecem com a água comum. Atualmente, esforços de pesquisa tentam incorporar esse conhecimento para melhorar a precisão da previsão do tempo.
Recentemente, cientistas da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (NASA), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA; do Instituto de Tecnologia Karlsruhe, na Alemanha, e da Universidade de Tóquio, no Japão, avançaram no aprimoramento da previsão meteorológica através do uso de dados de isótopos de água na atmosfera.
Os cientistas mostraram que modelos meteorológicos que consideram medições via satélite de isótopos de vapor d’água conseguem melhores previsões das condições atmosféricas por até cinco dias, incluindo estimativas mais precisas de chuvas intensas em muitas regiões.
O Dr. Kinya Toride, pesquisador da NOAA e da Universidade de Tóquio e primeiro autor do estudo, explicou que isótopos de água ocorrem naturalmente em quantidades muito pequenas, com uma abundância relativa que varia ligeiramente durante processos como evaporação e condensação.
No estudo, publicado na revista científica Communications Earth & Environment, o pesquisador destacou que foram incorporadas observações via satélite das razões isotópicas do vapor d’água em um novo modelo meteorológico.
De acordo com o Dr. Kei Yoshimura, professor da Universidade de Tóquio e coautor do estudo, esta foi a primeira vez em que foi demonstrado que a inclusão de informações sobre isótopos de vapor d’água pode melhorar as previsões meteorológicas em condições próximas às da previsão operacional real.
Segundo o Dr. Kinya Toride, os resultados mostraram que o uso da informação adicional sobre a água pesada melhorou as estimativas de condições atmosféricas básicas – como ventos, temperatura e vapor d’água -, o que levou a previsões meteorológicas mais precisas.
Mas ainda existem desafios a serem superados para agregar essas informações às previsões meteorológicas. O professor Kei Yoshimura destacou que, primeiramente, há poucos dados isotópicos disponíveis em tempo real. Além disso, os modelos de previsão atuais não estão preparados para considerá-los, ou seja, é necessária uma atualização nos modelos.
Futuramente, com mais dados de satélite disponíveis e com modelos que integrem esses dados, os cientistas destacaram que as previsões cotidianas devem se tornar mais confiáveis, incluindo previsões em tempo real de chuvas intensas, que podem colocar em risco várias regiões em todo o mundo.
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