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Suplementos ilegais
Estudo sobre suplementos de peptídeos mostra falta de evidências e questões de segurança preocupantes
Segundo pesquisadores, vendas dos suplementos, muitas vezes ilegais, são mais impulsionadas pelo marketing do que pela ciência

SciAdvances
Por Redação SciAdvances
8 de setembro de 2026, 13:40
Fonte
Áreas
Biotecnologia Alimentar, Cardiologia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Educação Física, Endocrinologia, Engenharia de Alimentos, Envelhecimento, Epidemiologia, Medicina, Nutrição Esportiva, Ortopedia, Suplementos
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Suplementos ilegais
Peptídeos são pequenos fragmentos de proteína com funções especializadas no organismo. A insulina e o GLP-1 — ambos de uso comum e aprovados por várias agências reguladoras — são dois dos peptídeos mais conhecidos.
Porém, ultimamente, as redes sociais têm dado destaque a muitos suplementos de peptídeos comercializados ilegalmente e, portanto, não estudados e não aprovados por agências reguladoras. Esses suplementos, em sua maioria vendidos na forma de pó liofilizado e de autoadministração injetável, prometem ganho de massa muscular, aceleração da recuperação de lesões e até resultados antienvelhecimento.
Avanço: revisão de mais de 500 estudos procurou por evidências sobre benefícios musculoesqueléticos de suplementos de peptídeos
O Dr. Thomas Kremen, especialista em medicina esportiva e professor do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA, liderou um estudo de revisão de escopo sobre os efeitos de seis peptídeos emergentes: BPC-157, TB-500, CJC-1295, MK-677, ipamorelina e GHK-Cu.
A equipe de pesquisa analisou 565 estudos que investigaram os efeitos desses peptídeos no tratamento musculoesquelético, na recuperação de tecidos ou no desempenho físico, tanto em modelos animais como em humanos.
O estudo teve a participação de professores, estudantes de medicina, médicos ortopedistas e residentes da Escola de Medicina da UCLA e foi publicado na revista científica The American Journal of Sports Medicine.
Resultados foram claros: estudos bem conduzidos praticamente não mostraram benefícios
Após análise da literatura, os pesquisadores da UCLA destacaram algumas limitações importantes dos estudos.
Além de mais de dois terços dos estudos terem sido realizados em animais – típico de estudos pré-clínicos, que podem mostrar diferenças significativas para humanos -, apenas um pequeno número de estudos em humanos mostrou benefícios clínicos limitados para condições não ortopédicas.
Segundo os pesquisadores, para condições musculoesqueléticas, muitos estudos não tiveram controles robustos ou desenhos rigorosos, e praticamente não houve estudos bem conduzidos que mostrassem benefícios clínicos.
Os pesquisadores também destacaram o fato de que, nos EUA, esses suplementos ainda não possuem aprovação da agência regulatória Food and Drug Administration (FDA) e, portanto, não há como garantir o conteúdo exato dos produtos comercializados, que podem conter substâncias tóxicas.
Mesmo assim, o professor Thomas Kremen ressaltou que o forte apelo das redes sociais e de fontes de informação não médicas e sem revisão por pares tem atraído a atenção do público, e muitos de seus pacientes têm consumido esse tipo de suplementos, mesmo sem orientação médica.
O professor destacou que a conclusão do estudo é que há pouca ou nenhuma evidência de que esses suplementos de peptídeos tragam benefícios para a saúde. Portanto, a indicação é de que não vale a pena correr os riscos.
No Brasil, a Anvisa alerta
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que substâncias como BPC-157 e TB-500 não possuem autorização de uso como suplemento alimentar e, até o momento, não há solicitações de empresas ou estudos submetidos à Anvisa para a regularização dessas substâncias.
Para que uma substância seja incluída na lista de constituintes autorizados para suplementos (Instrução Normativa 28/2018), a empresa interessada deve apresentar pedido à Agência com as informações técnicas necessárias.
Além disso, nenhum suplemento alimentar no Brasil pode ser administrado por via injetável: a categoria de suplementos é restrita exclusivamente à administração oral.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
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